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Síria acusa EUA de intromissão na missão de observadores árabes

O regime do presidente sírio Bashar al-Assad acusou nesta quarta-feira os Estados Unidos de interferirem na missão de observadores árabes encarregados de avaliar a situação na Síria, abalada há nove meses por uma revolta violentamente reprimida.

“As declarações americanas são uma interferência gritante (na missão) da Liga Árabe e uma tentativa injustificada de internacionalizar o caso”, afirmou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Makdesi Jihad, em um comunicado.

Na terça-feira, a Casa Branca afirmou que a Síria não tem respeitado seus compromissos com a Liga Árabe e que já é hora do Conselho de Segurança das Nações Unidas atuar para “aumentar a pressão” sobre o regime de Damasco e “apoiar as aspirações legítimas dos sírios”.

“A Síria não prestará conta aos Estados Unidos sobre o nível de seu compromisso com o protocolo da Liga Árabe”, acrescentou Makdesi, acusando Washington de “atiçar a violência” antes da apresentação do relatório dos observadores da Liga, agendada para o próximo sábado.

Enquanto isso, o número de vítimas da repressão continua crescendo, apesar da presença dos observadores, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

O Observatório informou que nesta quarta-feira mais dois civis foram mortos e quatro ficaram feridos em Homs (centro), um dos focos da rebelião contra o regime, vítimas de tiros disparados de um carro que provavelmente pertencia à milícia pró-regime. Outro civil morreu em Hama, centro do país.

Os observadores da Liga visitaram as duas cidades como parte da missão. Também foram para Deal, na região de Deraa (sul), e a Harasta, perto de Damasco, de acordo com a televisão estatal.

De acordo com os Comitês Locais de Coordenação, que organiza as manifestações da oposição, 390 pessoas morreram desde o dia 26 de dezembro, quando a missão de observação iniciou seu trabalho. O próprio chefe da Liga Árabe, Nabil al Arabi, admitiu que o fuzilamento de manifestantes anti-regime continua.

No nível político, a oposição tem dificuldades para formar uma frente unida contra o regime de Assad.

Na terça-feira, o Conselho Nacional Sírio (CNS), que reúne a maioria das correntes opositoras, negou ter chegado a um acordo com o Comitê Nacional para a Mudança Democrática (CNCD), outro grupo de oposição.

No sábado, o CNCD anunciou a assinatura de um acordo político que, segundo ele, definia “os princípios da luta democrática para o período de transição” na Síria.

Segundo analistas, o principal ponto de desacordo entre as formações é quanto à intervenção militar estrangeira na Síria como meio de acabar com o regime atual.

O CNS é uma coalizão de partidos da oposição, inclui nacionalistas, liberais e islâmicos como a Irmandade Muçulmana.

O CNCD, liderado por Hassan Abdel Azim, agrupa partidos “nacionalistas árabes”, curdos, socialistas e marxistas.

Nesta quarta-feira, uma personalidade da oposição lamentou as “divisões” dentro da oposição”.

“É necessário tempo para que a oposição se una. Se isso já tivesse acontecido, o regime teria caído no verão passado”, afirmou à AFP sob anonimato.