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Síria acusa EUA de interferirem em missão da Liga Árabe e instigar violência

Damasco, 4 jan (EFE).- O regime sírio acusou nesta quarta-feira os Estados Unidos de interferirem na missão de observadores da Liga Árabe presente no país e de instigar a violência.

Em comunicado, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores sírio, Jihad Maqdesi, afirmou que as recentes declarações de autoridades americanas de que Damasco não cumpre o protocolo da Liga Árabe representam ‘ingerências no trabalho’ da delegação árabe.

Maqdesi fez referência às acusações feitas na terça-feira pelo porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland, que o regime sírio está ‘longe de satisfazer os padrões aos quais se comprometeu’, já que a violência por parte do Governo continua.

O responsável sírio garantiu na nota, divulgada pela agência oficial de notícias ‘Sana’, que as declarações de Nuland são uma tentativa de ‘internacionalizar’ a crise que vive o país.

Para Maqdesi, esta postura americana é ‘conhecida e danifica o trabalho da missão árabe antes que esta publique seu primeiro relatório’ sobre a situação na Síria.

‘Síria não tem de prestar contas aos EUA sobre seu cumprimento do protocolo (árabe), do qual os EUA sequer fazem parte’, justificou Maqdesi, quem ressaltou que isto é mais uma ‘tentativa de instigar a violência’.

As acusações ocorrem em resposta às declarações de Nuland e um dia depois de a Casa Branca defender o aumento da pressão sobre o regime de Bashar al Assad, inclusive com a atuação do Conselho de Segurança da ONU.

Como disse em entrevista coletiva o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, ‘enquanto o fogo de franco-atiradores, a tortura e o assassinato continuarem na Síria, fica claro que os requisitos do protocolo da Liga Árabe não estão sendo cumpridos’.

A organização pan-árabe enviou no dia 26 dezembro uma missão à Síria para verificar no local o cumprimento das ações para colocar fim à crise, enquanto os grupos opositores criticam que a repressão persiste. Somente nesta quarta-feira mais de dez pessoas morreram.

Desde o início dos protestos a favor da democracia em março, mais de 5 mil pessoas morreram pela repressão do regime sírio, que acusa grupos terroristas armados de estarem por trás das revoltas populares. EFE