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Silêncio de Demóstenes na CPI provoca bate-boca e encerramento de sessão

Brasília, 31 mai (EFE).- A recusa do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) em depor nesta quinta-feira aos integrantes da CPI do Cachoeira provocou um bate-boca entre parlamentares e levou o presidente da comissão, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), a encerrar a sessão.

Demostenes é acusado de fazer parte de uma rede de corrupção envolvendo jogo ilegal que seria liderada pelo bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

O senador, ex-DEM e que deixou o partido devido às acusações, explicou logo ao chegar à sessão que havia decidido invocar o direito constitucional de ‘permanecer calado’. A mesma postura foi adotada pelo próprio Cachoeira, na semana passada, e outros acusados que foram chamados a depor na mesma comissão nos últimos 15 dias.

O silêncio de Demóstenes irritou vários parlamentares, sobretudo o senador Silvio Costa (PTB-PE), que aos gritos afirmou que essa atitude era uma ‘prova cabal’ de sua culpa.

‘Você vai ter 80 votos a favor da sua cassação. Você é um hipócrita, você trabalhou contra o país, você é um demagogo’, afirmou Costa, bastante exaltado.

O senador Pedro Taques (PDT-RS) pediu respeito ao direito de Demóstenes ficar calado. Porém, ao ser chamado de ‘deselegante’ pelo colega, retrucou: ‘não me meça pela sua régua’.

Com a ameaça de início de um bate-boca mais intenso, Vital encerrou os trabalhos. Segundo o senador, eles serão retomados na próxima semana e terão como foco a preparação dos depoimentos dos governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que foram convocados também por supostos vínculos com a máfia do jogo e vão falar à comissão, respectivamente, nos dias 12 e 13 de junho.

As ramificações dos negócios de Cachoeira semearam suspeitas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que nesta semana acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de lhe propor o adiamento do julgamento do mensalão em troca de proteção política no caso da máfia de apostas.

Mendes admitiu que pelo menos em duas ocasiões utilizou, para viagens particulares, aviões cedidos por Demóstenes Torres que, na realidade, pertenceriam ao grupo de Cachoeira.

Por causa das suspeitas, o PSOL protocolou nesta quinta-feira uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Mendes e para a investigação das acusações feitas a Lula. EFE