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Silêncio de Demóstenes na CPI provoca bate-boca e encerramento de sessão

Por Da Redação - 31 maio 2012, 14h07

Brasília, 31 mai (EFE).- A recusa do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) em depor nesta quinta-feira aos integrantes da CPI do Cachoeira provocou um bate-boca entre parlamentares e levou o presidente da comissão, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), a encerrar a sessão.

Demostenes é acusado de fazer parte de uma rede de corrupção envolvendo jogo ilegal que seria liderada pelo bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

O senador, ex-DEM e que deixou o partido devido às acusações, explicou logo ao chegar à sessão que havia decidido invocar o direito constitucional de ‘permanecer calado’. A mesma postura foi adotada pelo próprio Cachoeira, na semana passada, e outros acusados que foram chamados a depor na mesma comissão nos últimos 15 dias.

O silêncio de Demóstenes irritou vários parlamentares, sobretudo o senador Silvio Costa (PTB-PE), que aos gritos afirmou que essa atitude era uma ‘prova cabal’ de sua culpa.

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‘Você vai ter 80 votos a favor da sua cassação. Você é um hipócrita, você trabalhou contra o país, você é um demagogo’, afirmou Costa, bastante exaltado.

O senador Pedro Taques (PDT-RS) pediu respeito ao direito de Demóstenes ficar calado. Porém, ao ser chamado de ‘deselegante’ pelo colega, retrucou: ‘não me meça pela sua régua’.

Com a ameaça de início de um bate-boca mais intenso, Vital encerrou os trabalhos. Segundo o senador, eles serão retomados na próxima semana e terão como foco a preparação dos depoimentos dos governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que foram convocados também por supostos vínculos com a máfia do jogo e vão falar à comissão, respectivamente, nos dias 12 e 13 de junho.

As ramificações dos negócios de Cachoeira semearam suspeitas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que nesta semana acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de lhe propor o adiamento do julgamento do mensalão em troca de proteção política no caso da máfia de apostas.

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Mendes admitiu que pelo menos em duas ocasiões utilizou, para viagens particulares, aviões cedidos por Demóstenes Torres que, na realidade, pertenceriam ao grupo de Cachoeira.

Por causa das suspeitas, o PSOL protocolou nesta quinta-feira uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Mendes e para a investigação das acusações feitas a Lula. EFE

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