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Separatistas provocam Ucrânia em ensaio de fotos

Presidente interino ucraniano admite incapacidade frente a grupos pró-Rússia

Por Da Redação 30 abr 2014, 13h47

Uma série de retratos de separatistas dentro de um edifício regional em Donetsk, no leste da Ucrânia, foi publicada nesta quarta pela agência Reuters. Nas imagens, os homens aparecem mascarados e fazem poses em uma poltrona, demonstrando estarem à vontade no local, ocupado por grupos pró-Rússia que desafiam a autoridade do governo ucraniano na região. Atualmente, os manifestantes controlam prédios públicos em ao menos doze cidades do leste ucraniano. Eles exigem direitos regionais mais amplos e possíveis anexações ao território da Rússia, como ocorreu com a península da Crimeia, no sul da Ucrânia. As fotos foram tiradas na última sexta-feira.

Nesta quarta, o presidente interino da Ucrânia, Olexander Turchinov, admitiu que as forças militares do país não têm condições de enfrentar os grupos pró-Moscou que ocuparam prédios públicos em Donetsk e Lugansk. Ele afirmou que o objetivo agora é evitar que o movimento separatista se espalhe. “Digo de forma franca que neste momento as estruturas de segurança não têm como controlar rapidamente a situação nas regiões de Donetsk e Lugansk”, disse o presidente, em encontro com governadores regionais.

Turchinov ressaltou que as equipes que deveriam proteger os cidadãos mostraram-se ineficazes, criticando as autoridades policiais locais das duas regiões. “São precisamente estas estruturas de segurança nas regiões de Donetsk e Lugansk que são incapazes de exercer suas funções”, disse. “Mais do que isso, algumas unidades facilitaram ou cooperaram com os grupos terroristas”. Ele demitiu os chefes de polícia das duas regiões e outros funcionários que podem ter ajudados os separatistas e disse que o foco agora passa a ser evitar que a “ameaça terrorista” controle as regiões da Carcóvia e de Odessa. “Mercenários que estão atuando em território ucraniano já têm planos de atacar essas regiões. É por isso que enfatizo: a nossa tarefa é tentar interromper a propagação desses terroristas”, afirmou.

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Além das ocupações, os grupos pró-Moscou também fizeram dezenas de reféns, incluindo observadores internacionais. Nesta sexta, a sede da polícia e a prefeitura de Horlivka foram invadidas. (Continue lendo o texto)

Prontidão para o combate – O leste ucraniano, onde a maioria da população é de origem russa, foi uma base eleitoral do ex-presidente Viktor Yanukovich. Aliado do Kremlin, ele foi deposto em fevereiro. Depois de sua destituição, a Rússia iniciou uma incursão no território vizinho.

Para o presidente interino, os riscos de uma invasão das tropas russas são reais. Por isso, ele pediu aos governos regionais que criem unidades de autodefesa em todo o país para proteger suas regiões. Turchinov afirmou que as forças armadas ucranianas foram colocadas em “alerta total de combate” devido ao temor de uma invasão de tropas russas.

Artigo: Contra desintegração da Ucrânia, Ocidente deve ouvir e falar com a Rússia

Até aqui, as sanções pontuais impostas por Estados Unidos e União Europeia a cidadãos e empresas ligados a Vladimir Putin têm se mostrado incapazes de refrear as ambições do presidente russo na Ucrânia. A retórica do Kremlin continua sendo a de culpar o governo interino em Kiev pela agitação no leste e condenar as sanções.

Nesta quarta, o Fundo Monetário Internacional afirmou que a Rússia está “experimentando uma recessão agora” e que os prejuízos causados pela crise no país vizinho estão pesando fortemente sobre a economia, informou a rede britânica BBC. O FMI estima que 100 bilhões de dólares vão deixar a Rússia este ano. O banco central russo anunciou recentemente que os investimentos estrangeiros no país haviam sido reduzidos em 64 bilhões de dólares no primeiro trimestre deste ano.

Entenda a atual situação dos conflitos nas cidades ao leste da Ucrânia:

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