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Senadora do Paraguai ameaça processar Mbappé após jogador rebater ataques racistas

Parlamentar se retratou pelas declarações contra atacante francês e cobrou pedido de desculpas após ser chamada de 'desprezível'

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 jul 2026, 16h19 | Atualizado em 7 jul 2026, 16h34
Senadora do Paraguai ameaça processar Mbappé após jogador rebater ataques racistas Priorizar nos meus resultados Google

A senadora paraguaia Celeste Amarilla afirmou nesta terça-feira, 7, que pretende processar o atacante francês Kylian Mbappé por violência de gênero, após o jogador responder publicamente às declarações racistas feitas por ela depois da eliminação do Paraguai para a França nas oitavas de final da Copa do Mundo.

+ A resposta de Mbappé aos comentários racistas de senadora do Paraguai 

A parlamentar afirmou que as críticas do capitão da seleção francesa configuram um ataque contra uma mulher que ocupa um cargo eletivo e exigiu que o jogador se retrate.

“Seus ataques constituem violência de gênero pura e simples contra uma mulher política que alcançou sua posição pelo voto popular”, declarou. Amarilla também reconheceu que errou ao atacar Mbappé. “Eu me retratei. Foi um desatino”, afirmou, acrescentando que espera um pedido de desculpas do atleta.

Após a vitória da França por 1 a 0 sobre o Paraguai, Amarilla criticou o comportamento de Mbappé em campo. A senadora afirmou que o atacante se recusou a cumprimentar o goleiro Orlando Gill após o apito final e classificou a atitude como antidesportiva. Nas redes sociais, porém, as críticas ultrapassaram o futebol e ganharam cunho racista.

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Em uma das publicações, ela chamou o jogador de “camaronês colonizado, fingindo ser francês”. Em outra, escreveu que Mbappé “nem aprendeu a escrever” e afirmou que, “em vez de leite materno, mamou em cocos, e os seres mais instruídos que ouviu foram chimpanzés”.

Em outra mensagem, a senadora disse ter ficado “enojada” com a postura do francês e afirmou que interpretou como uma provocação ao Paraguai uma declaração dada por Mbappé antes da partida. Na ocasião, o atacante afirmou que, se fosse preciso, a França colocaria “as mãos na merda” para avançar no Mundial.

Resposta de Mbappé

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Na segunda-feira, 6, o atacante da França respondeu às declarações. Em publicação nas redes sociais, o craque disse que a política “não representa o Paraguai, um país que demonstrou paixão e honra durante toda a competição”.

“Por sua inconsciência e seu racismo escancarado, o mundo inteiro já esqueceu a trajetória e o esforço histórico realizados por seus jogadores nesta Copa do Mundo para dar lugar a uma senhora incompetente que oferece a pior imagem possível de seu país”, escreveu o capitão dos Bleus, prometendo nunca deixar que “pessoas como ela tenham a liberdade de propagar seu ódio e seu racismo pelo mundo”. 

A ministra dos Esportes da França, Marina Ferrari, também se pronunciou, dizendo estar “escandalizada” com as declarações “abjetas” e “racistas” feitas pela senadora.

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Racismo na Copa

O ato da senadora demonstra uma tendência em crescimento. Na semana passada, o Serviço de Proteção em Mídias Sociais (SMPS) da Fifa, a principal entidade do futebol, revelou que ao menos 89.000 publicações injuriosas foram feitas durante a fase de grupos da Copa do Mundo, que começou em 11 de junho. Dessas postagens, 11% eram de caráter racista.

“As ofensas racistas estão em crescimento e se tornaram uma ameaça persistente ao bem-estar dos jogadores”, denunciou o SMPS. Ao todo, mais de 6 milhões de publicações e comentários online foram analisados.

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Após 72 das 104 partidas previstas em estádios americanos, a Fifa já registrou “13 vezes mais” publicações injuriosas do que durante a fase de grupos da Copa do Mundo de 2022 no Catar (89.000 contra 6.700), na qual, no entanto, havia apenas 32 seleções em disputa, frente às 48 deste ano.

Pouco antes da partidas do Brasil contra o Japão, publicações nas redes sociais comparavam a imagem do atacante Vinicius Jr., conhecido por sua luta contra o racismo, a um macaco. Antes do mesmo jogo, o atacante japonês Kento Shiogai também sofreu ataques racistas, depois de dizer que a seleção brasileira já não é mais a mesma de antigamente.

O fenômeno do ódio online continuou no início da fase eliminatória: na semana passada, os holandeses Crysencio Summerville, Justin Kluivert e Quinten Timber foram alvo de insultos racistas nas redes sociais após perderem suas cobranças de pênalti na derrota da Holanda para o Marrocos nos 16 avos de final do Mundial, segundo a federação holandesa.

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