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Senador socialista é encontrado morto no dia em que responderia por corrupção na França

Jean Germain, ex-prefeito de Tours, era acusado de ter lucrado ilegalmente ao negociar cerimônias de casamento para turistas chineses na cidade

Por Da Redação 7 abr 2015, 21h27

O senador socialista Jean Germain, considerado um aliado próximo do presidente francês François Hollande, foi encontrado morto no mesmo dia em que deveria responder à Justiça do país por corrupção. Germain, que também exerceu o cargo de prefeito da cidade de Tours, na região central do país, cometeu suicídio nesta terça-feira, antes de o julgamento ter início. De acordo com as autoridades, o político escreveu em uma nota de despedida que era processado por “razões políticas”, o que ele considerava “insuportável”. Ele também negava as acusações na carta. “Sempre lutei pelo que eu acreditava fazer parte dos melhores interesses do povo de Tours”.

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Germain tinha 67 anos e era acusado de enriquecer ilegalmente com um negócio que promovia cerimônias de casamento para turistas chineses que viajavam a Tours entre 2007 e 2011. A chefe da companhia privada de viagens, Lise Han, foi presa em 2013 e responde a acusações de enriquecimento ilícito por ter dirigido a empresa ao mesmo tempo em que cuidava da pasta de Turismo na Prefeitura da cidade. As viagens, segundo a rede BBC, não incluíam a consumação de matrimônios reais, mas casais viajavam longas distâncias para usufruir dos pacotes classificados como “românticos”.

Os chineses costumavam se vestir em trajes de casamento e posavam para fotos em pontos turísticos, incluindo a Prefeitura de Tours. O senador Germain chegou a receber alguns dos turistas e tirou fotos com eles. Além da acusação de lucrar ilegalmente às custas do dinheiro público, o senador respondia a uma denúncia de cumplicidade com as atividades ilícitas de Lise Han. Ele chegou a se defender dizendo que não estava ciente das “mentiras e manipulações” de Lise, mas admitiu que havia cometido erros ao não detectar o esquema de corrupção no município.

Comovido, o presidente francês François Hollande descreveu o suicídio de Germain como uma “terrível tragédia” e classificou o aliado como “um grande funcionário”. O primeiro-ministro Manuel Valls também prestou condolências à família do político. “Eu perdi um amigo”, afirmou.

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