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Senador paraguaio é cassado após pedir morte de brasileiros

‘Tem que matar aqui pelo menos 100 mil brasileiros bandidos’, disse Paraguayo Cubas após entrar em confronto com policiais durante apreensão de madeira

Por Da Redação - 29 nov 2019, 10h42

O Senado do Paraguai cassou nesta quinta-feira 28 o mandato do senador Paraguayo Cubas, acusado de incitação ao crime, incluindo o genocídio de brasileiros. Segundo os senadores, ele usou sua influência de maneira indevida e violou o decoro do cargo.

Em um vídeo gravado na segunda-feira 25, o senador Paraguayo Cubas, 57, é visto discutindo com policiais durante uma operação de apreensão de madeira na fazenda de um brasileiro no município de Minga Porã, Departamento do Alto Paraná, próximo da fronteira com o Brasil.

Nas imagens ele pergunta se a madeira veio de uma fazenda de “rapai”, termo pejorativo usado no país para se referir a brasileiros. Com a resposta afirmativa, passa a fazer ataques.

“Bandidos brasileiros, bandidos! Invasores! Agora estão desflorestando o país”, grita. “Sabem quantos brasileiros tem no nosso país? Dois milhões. Desses, 100.000 são bandidos e tem de matar. Paredão para esses brasileiros desgraçados que fazem isso.”

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Em um segundo vídeo, gravado logo depois, ele ataca policiais que, segundo Cubas, estavam protegendo os brasileiros. As imagens foram amplamente reproduzidas pelos sites e nelas Cubas é visto chutando o carro dos policiais e dando um tapa na cabeça de um deles.

Cubas também foi acusado de atropelar uma comissária da polícia e ameaçar impedir o acesso do chefe de polícia a Ciudad del Este, a 330 quilômetros a leste de Assunção, utilizando seu cargo. Isso foi considerado tráfico de influência pelos 23 senadores que votaram a favor da expulsão – houve 3 abstenções, 1 contra e 18 ausentes em um total de 45 senadores.

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Em seguida, no mesmo dia, o ministro do Interior paraguaio, Euclides Acevedo, apresentou uma denúncia contra ele por agredir os policiais, que supostamente pretendiam liberar três caminhões apreendidos por transportar madeira cortada ilegalmente na fazenda. Os caminhões foram contidos por moradores da região. O ministro também informou que formalizaria a denúncia ao Ministério Público.

Segundo Acevedo, com base no que disseram as testemunhas e em documentos, tanto a carga quanto os caminhões não estavam irregulares. O ministro se referiu a Cubas como um “provocador profissional e desequilibrado” e afirmou que seu comportamento não ficaria impune.

Xenofobia

Os senadores paraguaios acusam o colega, conhecido no país como “Payo” de comportamento xenófobo. Estima-se que no Paraguai, com 7 milhões de habitantes, vivam cerca de 1 milhão de cidadãos de origem brasileira, principalmente colonos de terras dedicadas à agricultura e à pecuária no leste do país.

“Os produtores estão indignados com a atitude desse senador, que encoraja a xenofobia contra os brasileiros. Viemos ao Paraguai para trabalhar a convite do governo paraguaio”, afirmou nesta quinta o presidente da associação de produtores de soja, o brasileiro Eno Michels, em visita ao Senado.

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O presidente da União Industrial da Paraguai, Gustavo Volpe, que acompanhou os produtores, considerou que Cubas ultrapassou “todos os limites aceitáveis”. “Não podemos ter representantes dessa natureza no Congresso, pessoas que tentem provocar um conflito com o Brasil.”

Cubas, o único senador do partido opositor minoritário de esquerda Cruzada Nacional, já foi penalizado em abril com suspensão de 60 dias por fazer provocações verbais ao senador e então presidente do Congresso, Silvio Ovelar. Na sessão anterior, Cubas jogou água em vários de seus colegas, entre eles o ex-presidente Fernando Lugo (2008-2012).

Após a expulsão, o agora ex-senador postou uma foto no Twitter com uma mensagem de despedida. “Saindo do obscuro Parlamento. Rumo ao país que todos nós merecemos.” No Facebook, ele fez uma live e disse que sua destituição foi ilegal, já que ele não teve direito de defesa.

(Com Estadão Conteúdo)

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