Clique e assine a partir de 8,90/mês

Senado dos EUA ouvirá indicado de Trump e mulher que o acusa de estupro

Aprovação ou rejeição do novo ministro da Suprema Corte será adiada para outubro por causa de escândalo sexual

Por Da Redação - Atualizado em 17 set 2018, 22h16 - Publicado em 17 set 2018, 22h12

O indicado à Suprema Corte dos Estados Unidos Brett Kavanaugh e a mulher que o acusou de tentativa de estupro em 1982 vão testemunhar no Senado na próxima segunda-feira. O esclarecimento dessa acusação atrasará a decisão o Comitê de Judiciário do Senado sobre a confirmação ou não de Kavanaugh.

O juiz federal da corte de apelações da capital americana foi  apontado pelo presidente americano, Donald Trump, para o cargo vitalício no mais alto tribunal dos Estados Unidos. Com a ameaça imposta por esse escândalo, Kavanaugh teve encontros na Casa Branca nesta segunda-feira. Também emitiu uma nova negação da agressão sexual, chamando-a  de “completamente falsa”.

O presidente do Comitê Judiciário do Senado, Chuck Grassley, disse que o comitê fará uma audiência pública com Kavanaugh e com sua acusadora, Christine Blasey Ford, na próxima segunda-feira.

“Como disse mais cedo, qualquer um que vem a público, como a doutora Ford fez, merece ser ouvido. Minha equipe contatou a doutora Ford para ouvir seu relato e fez uma chamada de acompanhamento com o juiz Kavanaugh nesta tarde”, disse Grassley.

“Infelizmente, democratas do comitê se recusaram a se juntar a nós neste esforço. Mas, para dar ampla transparência, faremos uma audiência pública na segunda-feira para dar exposição completa para estas acusações recentes”, disse.

Em entrevista ao jornal Washington Post, Christine Blasey Ford narrou com detalhes a noite em que afirma ter sido vítima de uma tentativa de estupro por Kavanaugh. Ele e um amigo estavam “completamente bêbados” quando a encurralaram em um quarto e tentaram mantê-la à força em uma cama, para a tocar e tentar tirar a sua roupa.

Continua após a publicidade

Ford conseguiu fugir e, após 36 anos de silêncio, decidiu falar sobre o episódio. “Considero agora que meu dever cívico é mais importante do que a angústia e medo das represálias”, disse.

A acusação que pesa sobre este juiz conservador de 53 anos é crítica, em um contexto social de extrema sensibilidade com o tema da violência sexual contra mulheres desde o início do movimento #Metoo, que em um ano fez dezenas de homens perderem seus cargos em ambientes de poder.

“Estou pronto para falar com o Comitê Judicial do Senado (…) para refutar essas acusações sobre fatos que datam de 36 anos atrás e defender minha integridade”, afirmou o magistrado, em uma breve declaração difundida pela Casa Branca. “Nunca fiz algo como o que a acusadora descreve, nem a ela nem a ninguém mais”.

Donald Trump manteve-se firme nesta segunda-feira, ao seu lado. Reafirmou seu apoio ao juiz federal, embora tenha admitido que sua aprovação pelo Senado poderá  demorar “um pouco”. O presidente  lamentou que as acusações contra seu candidato para a Suprema Corte remontem à década de 1980.

“Tenho certeza de que tudo vai dar certo”, disse Trump na Casa Branca.

Consultado pela imprensa se Kavanaugh lhe ofereceu a retirada da candidatura, Trump qualificou a pergunta de “ridícula”.

O líder da maioria no Senado, o republicano Mitch McConnell, disse que deseja fazer uma votação completa no Senado sobre Kavanaugh antes do começo do novo mandato da Suprema Corte, em 1º de outubro. É incerto se este objetivo terá que ser ajustado.

Continua após a publicidade
Publicidade