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Senado dos EUA aprova Daniel Perez como novo embaixador no Brasil

Sua indicação está no centro da crise diplomática com a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 ago 2026, 17h04 | Atualizado em 7 ago 2026, 17h22
Senado dos EUA aprova Daniel Perez como novo embaixador no Brasil Priorizar nos meus resultados Google

O Senado dos Estados Unidos aprovou, nesta sexta-feira, 7, a indicação de Daniel Perez como novo embaixador americano no Brasil. O deputado estadual tornou-se o pivô da mais nova crise diplomática entre os países, que levou à revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington.

Ele recebeu 51 votos a favor e 47 contrários. Agora, seu nome segue para aprovação do Itamaraty, que pode ou não conceder o agrément, autorização necessária para que um embaixador estrangeiro assuma suas funções no país.

O republicano foi escolhido em junho pelo presidente americano, Donald Trump, para ocupar o posto, que está vago desde o retorno do presidente à Casa Branca, em janeiro de 2025, que encerrou o mandato de Elizabeth Bagley, indicada pelo ex-presidente Joe Biden.

Os governos brasileiro e americano divergiram sobre o processo de nomeação desde o anúncio. O Itamaraty se incomodou com o fato de que a Casa Branca tornou pública a escolha antes da conclusão de consultas diplomáticas reservadas, que normalmente antecedem a apresentação formal de um candidato a embaixador ao país anfitrião.

Crise diplomática

A tensão aumentou porque Washington passou a pressionar a administração de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela concessão do agrément, alegando que a demora era intencional. O Palácio do Planalto, por sua vez, sustentou que o pedido seguia em análise dentro dos procedimentos diplomáticos habituais, afirmando que não pretendia conceder autorização a nenhum outro embaixador antes das eleições presidenciais, em outubro.

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Na terça-feira 4, o impasse escalou quando o Departamento de Estado americano anunciou a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, justificando que a medida era uma retaliação à demora no agrément de Perez e poderia ser revogada caso o Itamaraty concedesse a autorização.

+ Como imprensa internacional repercutiu revogação de visto da embaixadora do Brasil nos EUA

Em comunicado, o governo afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos são “falsas” e classificou a medida como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis”. Também decidiu que adotará o princípio de reciprocidade diplomática contra os Estados Unidos em resposta à revogação do visto da embaixadora Viotti, que em teoria pode continuar em Washington, mas caso saia e retorne para solo americano, precisaria de outro tipo de passaporte.

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A medida do governo Trump foi anunciada 10 dias após o Ministério das Relações Exteriores brasileiros negar vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado — apontados pelo jornal americano The Washington Post como integrantes de uma plano para questionar o sistema eleitoral brasileiro. A viagem aconteceria no mesmo período de um evento com diplomatas estrangeiros onde o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na corrida presidencial, colocou em dúvida a integridade das urnas eletrônicas.

Os Estados Unidos negaram as acusações, alegando em nota ao portal de notícias UOL que seria uma “visita rotineira”. “Qualquer insinuação de que a visita seria uma artimanha para prejudicar as eleições de uma nação democrática é uma mentira infundada”, acrescentou o comunicado.

Quem é Daniel Perez

Originalmente de Nova York, Perez, de 39 anos, é filho de imigrantes cubanos e se mudou para a Flórida na década de 1990. Ele é formado em direito pela Florida State University e foi eleito deputado pela primeira vez em 2017, chegando ao posto de presidente da Câmara dos Representantes do estado em 2024.

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Republicano e aliado de Trump, Perez adota um discurso duro contra governos de esquerda na América Latina. Ele também reforça a ascensão cada vez maior dos republicanos da Flórida, estado do ocupante do Salão Oval e ponta-de-lança da resistência americana à esquerda latino-americana.

O deputado estadual também é próximo ao chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, outro descendente de cubanos que nutrem desprezo pelo regime castrista. O secretário de Estado comanda a reformulação da política externa americana, marcada até agora por tarifaços e ameaças bélicas destinadas à obtenção de vantagens econômicas e estratégicas. Uma de suas características é bater de frente com governos considerados hostis, em especial na “vizinhança” da América Latina, que, segundo ele, estaria sob influência cada vez maior da rival China.

No caso específico do Brasil, Rubio liderou uma represália ao programa Mais Médicos, que teve massiva participação de cubanos durante a gestão Dilma Rousseff. Como parte da ofensiva, a esposa e a filha do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que ocupava o mesmo cargo no mandato da petista, tiveram os vistos revogados. Rubio também defendeu publicamente a aplicação da Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF): “Que seja um aviso para aqueles que atropelam os direitos fundamentais de seus compatriotas — as togas judiciais não podem protegê-los”.

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Rubio é considerado uma ponta de lança da fase de conflitos e distanciamento entre Brasil e Estados Unidos, especialmente depois que o governo Trump decidiu aplicar duas rodadas de tarifas contra o setor produtivo brasileiro neste ano.

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