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Senado americano agenda votações que podem encerrar paralisação do governo

Apreciação de propostas é considerada um primeiro passo em direção ao fim do "shutdown", mas deve esbarrar em polêmicas entre partidos

Na próxima quinta-feira, 24, o Senado dos Estados Unidos irá votar uma série de medidas que podem encerrar a paralisação parcial do governo, conhecida como “shutdown”, que já é a mais longa da história do país, em seu 33° dia.

A primeira proposta, apoiada pela maioria republicana, satisfaz a demanda orçamentária do presidente Donald Trump de 5,7 bilhões de dólares para seu muro na fronteira com o México. Em troca, a legislação aprovará medidas que protegem os direitos ameaçados dos dreamers – sonhadores, em inglês – o grupo de imigrantes indocumentados trazidos aos Estados Unidos por seus pais quando crianças.

Uma ação anterior de Trump, contra políticas da era Obama, pedia uma revisão do programa que ampara 700.000 estrangeiros, considerados bem-vindos em terras americanas, e foi barrada pela Suprema Corte na terça-feira 22.

Outra proposta, de autoria democrata, estenderia o apoio financeiro às agências federais que atualmente estão fechadas, até o dia 8 de fevereiro. Desde que assumiram maioria na Câmara dos Deputados, os opositores tentaram aprovar vários projetos para custear temporariamente serviços do governo, mas o Senado se recusou a votá-las, argumentando que as medidas tentam ignorar os projetos do presidente americano para a fronteira com o México.

Na terça-feira, 22, o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, e o líder democrata, Chuck Schumer, concordaram em avançar com a votação das medidas. Foi o primeiro sinal de progresso em direção ao fim da paralisação, mas nenhum dos dois lados aparenta ter os 60 votos necessários para que algum dos projetos seja aprovado.

Os opositores de Trump, contrários ao projeto do muro, devem continuar contrários aos termos republicanos, que chamam de uma “solução medieval” para um “problema do século XXI, e os democratas precisariam do voto de pelo menos 13 senadores do Partido Republicano para alcançar a marca mínima.

McConnell acusou os democratas de preferirem “o combate político” com o presidente em vez de resolver a paralisação parcial. Ele afirmou que os democratas estavam preparados para abandonar os trabalhadores federais, os imigrantes e todos os americanos “apenas para estender o teatro político para que possam parecer campeões da resistência contra Trump.”

Em sua conta no Twitter, Trump elogiou os esforços dos senadores republicanos e insistiu que a imigração é grande responsável pela criminalidade nos Estados Unidos, dizendo: “se nós criarmos um Muro de Barreira, que previne a entrada de criminosos e drogas em nosso país, a taxa de crimes vai cair de maneira recorde.”

Em Risco

Representantes de agentes do FBI, agência de inteligência dos Estados Unidos, avisaram na última terça-feira que a paralisação parcial do governo prejudicou sua capacidade de conduzir operações e investigações. Milhares de membros do Órgão estão entre os 800.000 trabalhadores que já estão em sua quinta semana sem pagamento,

Segundo o site The Guardian, o presidente do FBI se recusou a responder se os americanos estão menos seguros como resultado do shutdown: “vou deixar essa questão para que vocês respondam.”

Enquanto isso, o futuro do discurso de Estado da União permanece indefinido, uma semana depois que a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, pediu que Trump o adiasse. Na terça-feira 22, a Fox News relatou que a Casa Branca enviou uma carta ao Congresso para agendar a definição sobre o pronunciamento, que está marcado para o dia 29 de janeiro.

O porta-voz da Casa Branca, Hogan Gidley, disse que Trump mudará o palco do discurso, tradicionalmente oferecido na Câmara, se Pelosi impedir que ele o faça na data combinada: “Existem muitas formas nas quais ele pode entregar a declaração de Estado da União, mas não vou me adiantar sobre nada que ele possa anunciar.”

(Com Estadão Conteúdo)