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Senado aceita veto de Trump e mantém sua autoridade para declarar guerras

Resolução que devolveria ao Congresso o poder de declarar conflito armado foi aprovada em fevereiro e motivada pelo ataque americano em Bagdá um mês antes

Por Da Redação - 7 Maio 2020, 19h43

O Senado dos Estados Unidos falhou nesta quinta-feira, 7, em anular um veto do presidente Donald Trump a uma lei que restringia sua autoridade para declarar guerra contra o Irã. A resolução, que o líder americano rejeitou na quarta-feira 6, exigia que ele obtivesse autorização do Congresso para ordenar ações militares.

Para anular o veto, era preciso que 67 dos 100 senadores fossem a favor da resolução – uma maioria de dois terços. Apesar de a maioria simples do Senado ter votado contra Trump (49 a 44), a casa legislativa controlada pelos republicanos favoreceu o presidente.

A resolução, liderada pelo senador democrata Tim Kaine, foi aprovada no Senado e na Câmara dos Deputados em fevereiro, com o apoio de ambos os partidos. Trump vetou a proposta na quarta-feira, dizendo que era “muito insultuosa” e acusando os democratas de interesses políticos.

“[A resolução] foi introduzida pelos democratas como parte de uma estratégia para vencer a eleição [presidencial] em 3 de novembro, rachando o Partido Republicano”, disse Trump em comunicado divulgado pela Casa Branca. “Os poucos republicanos que votaram a favor caíram nessa jogada.”

O senador Kaine respondeu dizendo que o Congresso só está fazendo seu trabalho, para ter voz sobre o uso da força militar americana. A medida exigiria que Trump removesse os soldados americanos do Iraque, exceto se o Congresso declarasse guerra ou autorizasse o uso de força militar contra o Irã. Foi o mais recente de uma série de esforços do legislativo, desde o governo de Barack Obama, para recuperar o direito constitucional do Congresso de declarar guerra.

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“Não é um esforço partidário. Foi bipartidário desde o início. Foi introduzido para impedir uma investida em uma guerra desnecessária”, disse Kaine.

Trump também afirmou que, como comandante supremo, precisava de ampla autoridade na ação militar contra o Irã. Em 2018, o líder americano saiu do acordo nuclear internacional com o país, firmado pelo governo Obama três anos antes. Desde então, ele realiza uma campanha de “pressão máxima” contra Teerã, por meio da imposição de sanções econômicas.

A proposta para reduzir os poderes de guerra do presidente foi introduzida semanas depois que Trump ordenou o ataque que matou o principal comandante militar iraniano, Qassem Soleimani, no aeroporto de Bagdá em janeiro, A ação frustrou membros do Congresso de ambos os partidos, que disseram não ter sido suficientemente informados sobre a decisão. O Irã respondeu com bombardeio a um quartel iraquiano que abrigava militares dos Estados Unidos.

Este foi o sétimo veto durante os três anos de governo Trump, e nenhum foi anulado. Os 53 republicanos que formam maioria no Senado raramente rompem com o presidente.

(Com Reuters)

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