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Sem papa e sem maioria no Senado, vida segue em Roma

Apesar de ingovernabilidade resultante do final de semana passado e da Sé Vacante, italianos encaram com normalidade o esdrúxulo momento de transição

Por Gabriela Loureiro, de Roma 2 mar 2013, 18h11

Roma, capital da Itália, abriga ao mesmo tempo duas instituições em crise: o Vaticano, que vive o seu segundo dia sem papa, e o Senado, que está ‘ingovernável’ após a eleição do final de semana passado, quando nenhuma coalizão política conseguiu maioria funcional de cadeiras. Va bene. Para os italianos em Roma, a vida segue. “É, Roma está um pouco bagunçada, mas é sempre um pouco assim. Estamos em um período um pouco complicado, mas nos recuperamos. Não é um problema, a situação se resolve, haverá um novo papa”, disse ao site de VEJA a italiana Carmen Rodriguez, professora de espanhol, antes de hesitar e continuar “e um bom governo também, estou certa disso”.

Nas eleições legislativas da semana passada, a coalizão de centro-esquerda de Pier Luigi Bersani conseguiu o maior número de cadeiras no Senado, mas não a maioria (120). Ficou quase empatado com a coalizão de centro-direita liderada pelo ex-premiê e magnata das comunicações Silvio Berlusconi (117). Devido ao voto de protesto dos italianos com a situação de crise do país, ficou em terceiro lugar o Movimento Cinco Estrelas (M5S), do comediante Beppe Grillo, que neste sábado se mostrou disposto a apoiar um governo formado pelas duas coalizões mais votadas, apesar de já ter dito que não o faria. Na terça-feira, Berlusconi disse estar aberto a negociações de acordo com Bersani, que recusou a proposta e se apresentou como candidato a primeiro-ministro.

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Nas ruas, os italianos seguem sua rotina em clima de normalidade, apesar de certa preocupação com o país – principalmente com a política. “Eu não gostava tanto desse papa, mas achei belo o ato da renúncia. Quanto à política, fico de cabelo em pé, me aterroriza o fato de pessoas sem experiência política estarem com poder para governar o país”, disse a italiana desempregada Flavia Gavilucci, em referência a Beppe Grilo. “Certamente é uma confusão, em uma cidade como Roma que tem tanto contato com outro estado, que é o Vaticano. Estamos todos na mesma cidade, é difícil separar as duas questões. É um momento que será lembrado na história”.

“É uma mudança de sistema político e espiritual. Os dois não estão muito distantes um do outro, porque, para mim, a política sem espiritualidade e moral não é política”, afirmou Giampaolo Infusino, gerente de recursos humanos. “Não sou católico, mas mesmo assim acredito que o papa é um ponto de referência para muitos. Vejo a demissão como um ato de lealdade, denuncia o problema e abre caminho para a busca de um próximo papa. Quanto à política, este é um discurso bem italiano, mas é preciso mudar. E, como em toda época de crise, é uma oportunidade de mudança”.

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