Sem IA: estudantes dinamarqueses terão que apresentar oralmente redações em sala de aula
'Infelizmente, temos um problema com fraudes por inteligência artificial no ensino médio. É preciso agir agora', disse ministro da Educação
O governo da Dinamarca anunciou, nesta quinta-feira, 6, que estudantes adolescentes terão que fazer apresentações orais em sala de aula sobre as redações que escreverem em casa. Além disso, os alunos do ensino médio serão incentivados a realizar trabalhos escritos na própria instituição de ensino, em vez de levá-los para casa.
O objetivo é combater o uso de inteligência artificial na formação de estudantes de 16 a 19 anos. Segundo o Ministério da Educação dinamarquês, as escolas também vão ser obrigadas a monitorar a utilização dos computadores durante as provas escritas. Para isso, as instituições deverão instalar barreiras digitais que filtrem conteúdos disponíveis no dispositivo durante os exames.
A intenção é “acompanhar o processo de trabalho dos alunos, fornecer feedback relevante e criar uma base mais precisa para a avaliação”, de acordo com a pasta.
As medidas vão entrar em vigor imediatamente, assim que os estudantes voltarem das férias de verão na próxima semana.
“Infelizmente, temos um problema com fraudes por IA no ensino médio. É preciso agir agora.” disse Magnus Heunicke, ministro da Educação. Heunicke afirmou que vai conversar com escolas, professores e alunos para “garantir que a IA não prejudique as competências, o profissionalismo e, principalmente, a capacidade dos alunos de pensarem por si mesmos”.
A nova tecnologia tem representado um desafio crescente para o ensino, segundo o Ministério da Educação dinamarquês. A pasta espera que as novas normas ajudem a estabelecer diretrizes mais claras sobre quando os alunos não estão autorizados a usar IA.
IA na educação europeia
Segundo um estudo realizado pelo Parlamento Europeu em janeiro deste ano, mais da metade dos europeus considera que a IA pode trazer riscos e benefícios ao ensino e à aprendizagem.
O levantamento revela que os finlandeses e estonianos são os que mais apoiam o uso da tecnologia na educação, com 65% e 63%, respetivamente. Já os franceses e irlandeses são os que mais defendem que a IA não deve entrar na sala de aula.
Cerca de quatro em cada dez europeus entrevistados disseram que escolas e universidades devem ter orientações claras sobre como e quando usar a IA e que os professores devem receber apoio para saber como e quando utilizar a ferramenta.







