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Sem gasolina, Cuba restringe transporte público entre províncias: ‘Mudanças são urgentes’

Um novo pacote do presidente Miguel Díaz-Canel tenta lidar com os efeitos da escassez de combustíveis e da pressão imposta pelos EUA

Por Flávio Monteiro 18 jun 2026, 15h57
Sem gasolina, Cuba restringe transporte público entre províncias: ‘Mudanças são urgentes’ Priorize VEJA no Google

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que a economia cubana precisa de “mudanças urgentes” para superar a intensa crise econômica que atinge a ilha. A declaração foi dada em um discurso televisionado nesta quinta-feira, 18, após o Comitê Central do Partido Comunista aprovar um pacote de reformas para ampliar a abertura econômica do país, enquanto a crise de combustíveis obrigou o país a aplicar restrições drásticas ao transporte público.

“A realidade nos impõe mudanças urgentes e necessárias”, disse Canel no discurso de encerramento da sessão extraordinária do Comitê. “Algumas não terão consenso absoluto, mas são impostergáveis (…) Quando a vida do povo se torna tão dura, o primeiro dever do Partido Comunista e do governo revolucionário não é explicar melhor a crise, mas mudar o que for necessário para sair dela”, completou.

O plano apresentado pelo governo foi aprovado pela Assembleia Nacional do Poder Popular, que se reuniu em caráter de urgência para validar as medidas. Figuras relevantes da política cubana, como o influente ex-presidente Raúl Castro, também se manifestaram favoravelmente à medida, que busca inspiração nos modelos aplicados por China e Vietnã, nações socialistas que transformaram suas economias ao longo do tempo.

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Até o momento, não há detalhes completos sobre qual é o teor das reformas apresentadas por Havana, mas a agência de notícias AFP aponta que seus objetivos incluem:

  • Abertura de setores à iniciativa privada;

  • Atração de capital de cubanos que moram no exterior;

  • Redução da participação estatal na economia

  • Maior autonomia às empresas públicas.

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Canel afirma que a transformação deve ser “profunda e ágil, executável no curto prazo, que combine estabilização macroeconômica, incentivos para estimular e promover uma abertura produtiva (…) e uma proteção social focalizada e efetiva”. O presidente também apela para a criação de um ambiente institucional e normativo adequado para que “as empresas e os trabalhadores sejam estimulados a produzir bens e prestar serviços de qualidade e com eficiência”.

As reformas são anunciadas em um momento delicado para Cuba, que enfrenta uma grave crise de abastecimento após a intensificação das sanções impostas pelos Estados Unidos ao setor energético da ilha desde janeiro. O bloqueio agravou a escassez de combustíveis, contribuiu para apagões e pressionou ainda mais uma economia que já atravessava uma de suas crises mais severas em décadas.

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Outrora o principal bastião do bloco socialista na América durante a Guerra Fria, Cuba está submetida a um embargo econômico dos EUA desde 1962. Embora tentativas pontuais de reaproximação tenham ocorrido ao longo das últimas décadas, a atual gestão do presidente Donald Trump voltou a endurecer a política americana em relação à ilha, com medidas que buscam ampliar a pressão sobre Havana e acelerar mudanças no modelo econômico cubano.

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Redução de transporte público

Em decorrência da falta de combustíveis, Havana anunciou uma série de restrições ao transporte interprovincial, pressionando ainda mais o sistema estatal utilizado pela maioria da população. A frequência das viagens foi reduzida, e os passageiros deverão solicitar suas viagens com sete dias de antecedência.

A partir desta quinta-feira, todos os trens que partem da capital em direção às cidades do leste do país passarão a circular apenas a cada 16 dias, em vez de cerca de três vezes por semana, como ocorria anteriormente. Os ônibus também foram afetados, sendo fixada a frequência de uma a três viagens para as capitais provinciais por semana. Anteriormente, eles faziam pelo menos uma viagem por dia.

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O cenário provoca apreensão entre os cubanos. Cego de um olho, José Manuel García, de 60 anos, costumava viajar com frequência entre Santiago de Cuba e Havana para tratar um deslocamento de retina no único olho em que ainda enxerga. Em declaração à AFP, ele disse temer a interrupção do tratamento diante da dificuldade de se deslocar até a capital.

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