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Sem apontar culpados, Ban Ki-moon classifica ataque de ‘crime de guerra’

Ban Ki-moon divulgou resultado de investigação e pediu que Conselho de Segurança aprove resolução rigorosa para garantir entrega de arsenal

Por Da Redação - 16 set 2013, 15h52

A divulgação do relatório da equipe das Nações Unidas que investigou a morte de mais de 1.400 pessoas na periferia de Damasco, em 21 de agosto, não trouxe surpresas em relação ao que as potências ocidentais já vinham afirmando sobre os ataques. O documento apontou que houve uso de gás sarin, o que a inteligência americana já havia afirmado há vários dias. Coube ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, divulgar o conteúdo do relatório, depois de se reunir com os membros permanentes do Conselho de Segurança. Depois de confirmar o uso de armamento químico, ele foi questionado quem deveria ser responsabilizado pelo massacre, mas se negou a responsabilizar o ditador sírio Bashar Assad ou as forças rebeldes.

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Ban preferiu não atribuir nenhuma responsabilidade pelo massacre. O secretário-geral disse que não era o seu papel apontar quem deveria ser punido pelo uso de gás sarin contra civis. “Outros terão o papel de decidir se esta questão será levada mais a fundo para determinar a responsabilidade. Foi um grave crime e os responsáveis precisam ser levados à Justiça o mais rápido possível”, limitou-se a dizer.

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Crime de guerra – Ao apresentar o relatório, o secretário-geral classificou o ataque do dia 21 de agosto como um “crime de guerra”. “Este é um crime de guerra, e uma grave violação”, afirmou Ban Ki-moon, classificando o episódio como “o uso de armas químicas contra civis de maior impacto” desde o ataque perpetrado pelo ditador Saddam Hussein contra a população curda de Halabja, norte do Iraque, em 1988.

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O secretário-geral aprovou o caminho diplomático do acordo firmado entre Estados Unidos e Rússia para eliminar o arsenal químico da Síria, e pediu para o Conselho de Segurança aprovar uma rigorosa resolução que garanta a entrega das armas químicas à comunidade internacional. “A resolução deve fornecer uma base legal para a implementação desta decisão na Síria, e caso ela não seja cumprida, o Conselho de Segurança deve impor sanções”, ressaltou.

Outros ataques – Uma comissão criada pela ONU para investigar violações de direitos humanos cometidas durante a guerra civil síria informou que apura a ocorrência de pelo menos catorze ataques químicos no país. As ações teriam ocorrido desde setembro de 2011, quando a comissão começou a monitorar a situação no país. Além disso, o grupo, liderado pelo jurista brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, aponta para a escalada dos crimes de guerra perpetrados por grupos extremistas islâmicos de oposição ao regime de Assad nos últimos meses.

Turquia – O governo turco informou que um helicóptero sírio foi abatido por aviões de guerra do país nesta segunda-feira. Segundo a agência Reuters, o vice-primeiro-ministro Bulent Arinc justificou a ação dizendo que a aeronave havia violado o espaço aéreo turco. O regime de Assad não se pronunciou sobre o ocorrido. Não há informações sobre mortos ou feridos.

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