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Seis migrantes morreram por dia tentando atravessar o Mediterrâneo em 2018

Itália impede desembarque de refugiados na Sicília; mais de 130 estão desaparecidos na costa do Djibouti, depois do naufrágio de dois barcos

Seis migrantes morreram por dia em 2018, em média, na tentativa de cruzar o Mar Mediterrâneo e alcançar a Europa, registrou um novo relatório divulgado nesta quarta-feira, 30, pela Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).

No total, 2.275 pessoas morreram fazendo essa travessia em 2018, segundo a Acnur. Embora ainda alto, esse número registrado no período é menor do que o dos anos anteriores. O total de refugiados e imigrantes que chegaram ao continente europeu também caiu para o menor patamar dos últimos cinco anos: 139.300 pessoas.

Em rotas da Líbia para a Europa, uma pessoa morreu no mar a cada catorze que chegaram à Europa – um aumento significativo na comparação com 2017. Outros milhares foram devolvidos à Líbia, onde enfrentam condições terríveis – falta de alimentos e proliferação de doenças – nos centros de detenção.

O relatório também revela significantes mudanças nas rotas usadas pelos refugiados e imigrantes. Pela primeira vez nos últimos anos, a Espanha tornou-se o principal ponto de entrada para a Europa.

Restrições

Para a Acnur, mudanças políticas de alguns países europeus resultaram em grande número de pessoas retidas no mar por dias a fio, à espera de permissão para a embarcação atracar. os barcos de organizações não governamentais e suas tripulações enfrentaram crescentes restrições nas operações de busca e resgate.

“Salvar vidas no mar não é uma escolha nem uma questão de política, mas uma antiga obrigação”, afirmou Filippo Grandi, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

Itália

Recentemente, uma nova crise sobre o acolhimento de migrante resgatados no mar atingiu a Europa. O navio Sea Watch 3 resgatou 47 pessoas na costa da Líbia em 19 de janeiro e, desde então, vinha buscando autorização para desembarcar seus passageiros em algum país europeu.

A embarcação foi autorizada a se refugiar na costa da Sicília para fugir de um ciclone no  Mediterrâneo, mas seus imigrantes não puderam desembarcar, apesar dos pedidos de diversas agências humanitárias e da ONU.

O governo da Itália, uma coligação entre os partidos anti-imigração Liga e o Movimento 5 Estrelas, tem recusado a atracagem nos seus portos de navios humanitários, com o argumento de que o resgate de migrantes estimula o tráfico de pessoas. Com a medida, a Itália pressiona outros Estados-membros da União Europeia a acolher os refugiados.

Nesta terça-feira, 29, contudo, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, anunciou que Portugal, Alemanha, França, Malta e Romênia aceitaram repartir entre si os 47 migrantes do navio.

Um caso semelhante aconteceu em agosto de 2018, quando 177 imigrantes tiveram de esperar por cinco dias a autorização do governo italiano para desembarcar em Catania, na ilha da Sicília. Por essa razão, a Justiça da Itália pediu que o ministro do Interior, Matteo Salvini, seja processado por “sequestro agravado de pessoas” pelo ocorrido. O crime prevê pena de três a quinze anos de prisão.

A viabilidade do processo ainda está em julgamento, já que o ministro pode contar com imunidade. Logo após a decisão judicial ter sido anunciada, Salvini chegou a dizer que estava pronto e orgulhoso para ser julgado “por ter defendido seu país de imigrantes ilegais”.

No entanto, em uma carta ao jornal Corriere della Sera publicada nesta terça-feira, Salvini afirma que o julgamento deve ser suspenso. Segundo ele, o caso está “intimamente ligado” às suas atividades como ministro do Interior e à sua “forte vontade de manter os compromissos assumidos na campanha eleitoral”.

“Estou convencido de que agi no interesse supremo do país e dentro do respeito total do meu mandato”, escreveu.

O ministro tem um trunfo a seu favor, pois é o Senado italiano que decidirá se ele será processado ou não. Seu partido, o Liga Norte, e o Movimento Cinco Estrelas (M5S) têm maioria no Parlamento.

130 migrantes mortos no Djibouti

Mais de 130 migrantes estão desaparecidos depois que dois barcos naufragaram na costa do Djibouti, no nordeste da África, segundo a Organização Internacional para as Migrações (IOM), da ONU.

De acordo com testemunhas locais, as embarcações viraram apenas trinta minutos após deixaram Godoria, na região de Obock, na terça-feira 29. O naufrágio foi atribuído à sobrecarga dos barcos.

Segundo a IOM, a guarda costeira do Djibuti recuperou trinta corpos e encontrou dezesseis sobreviventes. As embarcações estavam indo para o Iêmen.