Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Seis jihadistas franceses são condenados à morte no Iraque

Outros seis serão julgados nos próximos dias; França não os quer de volta, mas faz gestões pela comutação das penas

Seis cidadãos franceses foram condenados à morte pela Justiça do Iraque por se juntarem ao grupo extremista Estado Islâmico (EI). A execução deverá ocorrer em três, se o governo de Emmanuel Macron não tiver sucesso em suas gestões em favor da suspensão da pena.

Outros seis franceses transferidos da Síria para o Iraque serão julgados nos próximos dias. A justiça iraquiana pune com a pena de morte qualquer integrante de organizações “terroristas”, combatentes ou não.

Brahim Nejara, de 33 anos, acusado pela Inteligência francesa de ter facilitado o envio de jihadistas à Síria, e Karam El Harchaoui, da mesma idade, foram condenados à morte nesta terça-feira por um tribunal em Bagdá depois de terem sido transferidos no final de janeiro da Síria. Eles estavam detidos sob custódia da aliança antijihadista curdo-árabe.

Nos últimos dois dias, Kévin Gonot, Léonard Lopez, Salim Machou e Mustapha Merzoughi também foram condenados à morte por enforcamento. Todos esses condenados têm 30 dias para apelar.

Cerca de 450 cidadãos franceses vinculados ao Estado Islâmico estão detidos pelos curdos ou retidos em campos de refugiados no nordeste da Síria, disse nesta terça-feira o ministro francês das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian.

“Na região do nordeste sírio, consideramos haver cerca de 400 a 450 franceses, alguns deles nos campos, outros prisioneiros, entre eles crianças”, declarou em audiência na Comissão de Relações Exteriores da Assembleia Nacional da França.

Em entrevista à rádio France Inter, Le Drian garantiu que Paris “multiplicou suas ações para evitar a pena de morte” aos franceses. Bagdá já condenou mais de 500 estrangeiros do Estado Islâmico – homens e mulheres. Nenhum foi executado até agora.

Dois jihadistas belgas também foram condenados à morte. Um alemão teve a pena capital comutada para prisão perpétua, no recurso.

Esta série de vereditos relançou o debate sobre a questão dos jihadistas estrangeiros e seus parentes depois da derrota do Estado Islâmico na maior parte dos territórios da Síria e do Iraque, onde pretendia instalar um califado. O retorno deles a seus países de origem é rejeitado pela opinião pública na Europa, mas vários desses países rejeitam também a aplicação da pena de morte.

“Somos contra a pena de morte e dizemos isso claramente”, declarou Le Drian, que reiterou a posição de Paris contrária à volta dos jihadistas para serem julgados na França.

“Esses terroristas semearam a morte no Iraque e devem, portanto, ser julgados onde cometeram seus crimes”, defendeu.

Em 2018, os tribunais iraquianos emitiram 271 condenações à morte, das quais 52 foram enforcadas em Bagdá, Em 2017, 125 jihadistas foram executados.

No tribunal,  Brahim Nejara contou que “partiu da França para a Síria em 2014”, depois que o autoproclamado “califado” do Estado Islâmico convocou seus partidários a lutarem. “Minha esposa, minha filha e meu cunhado vieram comigo”, explicou.

Natural de Meyzieu, perto de Lyon, ele apareceu em um vídeo de propaganda do grupo terrorista após os atentados de novembro de 2015, na França, que resultaram na morte de 130 pessoas.

Segundo o Centro de Análise do Terrorismo (CAT), com sede em Paris, Nejara incitou um de seus irmãos a cometer um atentado na França. Já Karam El Harchaoui, francês de origem marroquina, disse ser “inocente”.

“Não entrei no Iraque e não participei de nenhum combate nem na Síria nem no Iraque”, declarou ao juiz, antes de explicar que viajara sozinho à Síria, onde se casou com duas belgas.

Os julgamentos de Yassine Sakkam, 29 anos, e de Mohammed Berriri, 24, vão acontecer na quarta-feira.

(Com AFP)