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Segundo colocado nas eleições do Paraguai exige recontagem de votos

Efrain Alegre recebeu 42,74% dos votos, contra 46,44% do candidato eleito, o conservador Mario Abdo

O candidato que terminou em segundo lugar na eleição presidencial do Paraguai afirmou nesta terça-feira que tem provas de fraude no pleito e exigiu uma recontagem dos votos.

Efrain Alegre, candidato da coalizão de centro-esquerda Ganar, disse em redes sociais que o tribunal eleitoral do país foi rápido demais para anunciar que Mario Abdo, do conservador Partido Colorado, venceu a eleição.

“Já temos amostras muito claras de fraude que vamos denunciar caso a caso”, disse Alegre, que é advogado. “Nós vamos participar da recontagem.”

Observadores internacionais que monitoraram as eleições de domingo não registraram irregularidades. Abdo, ex-senador de 46 anos que fez campanha em uma plataforma anticorrupção, deve tomar posse como presidente em meados de agosto.

Com 97,67% dos votos contados no domingo, o tribunal disse que Abdo recebeu 46,44% dos votos, enquanto Alegre teve 42,74%.

A Justiça eleitoral avaliou a participação de eleitores em 65% de um total de 4.241.000 habilitados a votar. A população total do país é de 7 milhões de habitantes.

Em seu primeiro discurso após a vitória, Abdo pediu unidade para “construir o futuro do Paraguai”. “O meu compromisso é ganhar a confiança dos que hoje nos acompanharam”, disse. “Peço que sejam parte dessa história que vamos construir juntos”, acrescentou.

Graduado em marketing nos Estados Unidos e filho de um dos homens fortes da ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989), Marito – como é conhecido para ser diferenciado do pai, Mario Abdo Benítez, morto em 2013 – herdará um país em pleno crescimento econômico, mas com desafios nas áreas sociais e políticas.

Hegemonia colorada

O Paraguai, que saiu de uma ditadura de 35 anos em 1989, viveu sob a hegemonia do partido Colorado durante os últimos 70 anos, com a única exceção do governo do ex-bispo e ex-presidente de esquerda Fernando Lugo (2008-2012), que foi destituído em um julgamento político um ano antes de concluir seu mandato.

“Ganhei credenciais democráticas em minha trajetória política”, declarou Marito ao rejeitar as críticas que recebe devido à proximidade de sua família com Stroessner.

Embora se distancie da ditadura lembrando que à época da derrocada de Stroessner tinha apenas 16 anos, em 2006 ele foi ao funeral do ex-ditador, que se exilou em Brasília.

O programa de Marito propõe manter a política econômica do presidente Horacio Cartes, baseada nas exportações agrícolas, que permitiu ao Paraguai crescer a um ritmo de 4% por ano por mais de uma década. Também pretende realizar uma reforma do Poder Judiciário, que considera corrupto.

O Paraguai está em 135º lugar entre 180 países em um ranking de corrupção elaborado pela organização Transparência Internacional.

(Com Reuters, AFP e Estadão Conteúdo)