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Secretário do Tesouro dos EUA cancela participação em conferência em Riad

Casa Branca vai dar 'mais alguns dias' para a Arábia Saudita explicar o desaparecimento de jornalista em seu consulado na Turquia

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, cancelou nesta quinta-feira (18) sua participação em uma conferência de investidores em Riad, na Arábia Saudita, em meio à controvérsia em torno do desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi. A decisão dá o tom da irritação da Casa Branca com o episódio, ainda não esclarecido.

“Não participarei da cúpula Iniciativa de Investimentos Futuros na Arábia Saudita”, anunciou  Mnuchin no Twitter, depois de reunir com o presidente americano, Donald Trump, e o secretário de Estado, Mike Pompeo.

Conhecido como “Davos do Deserto”, o encontro em Riad está marcado para 23 a 25 de outubro e sofreu diversas deserções por causa da suposta morte de Khashoggi no consulado saudita de Istambul. Além de Mnuchin, o ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire, e o seu homólogo holandês, Wopka Hoekstra, também descartaram comparecer ao evento.

Os executivos da Uber, JP Morgan e outras grandes empresas também cancelaram suas participações no Davos do Deserto, assim como a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

Um dos maiores encontros de líderes do mercado financeiro mundial, o evento é tido como uma enorme oportunidade para o governo saudita exibir sua economia e seu potencial de investimentos para o mundo.

A decisão dos Estados Unidos de não enviarem Mnuchin a Riad é a primeira demonstração de descontentamento americano pelo desaparecimento de Khashoggi. Até agora, Trump só havia manifestado dúvidas quanto à responsabilidade dos sauditas no caso e tentado colocar panos quentes na situação. As investigações de autoridades turcas indicam que Khashoggi foi morto no consulado saudita em Istambul durante uma sessão de tortura. Há suspeitas de que seu corpo foi desmembrado para permitir a retirada do local.

Crítico do governo de seu país, Khashoggi, de 59 anos, vive nos Estados Unidos, onde era colaborador do jornal Washington Post. Ele apresentou-se no consulado no último dia 2 de outubro para buscar os papéis de seu casamento, enquanto sua noiva esperava do lado de fora. Não há registros de sua saída do prédio e, desde então, ele é dado como desaparecido.

O governo turco suspeita que tenha sido assassinato justamente por fazer oposição ao regime saudita. Riad afirma que Khashoggi deixou o consulado no mesmo dia de sua visita e nega qualquer envolvimento no desaparecimento.

Posição americana

Apesar da decisão de não estar presente no Davos do Deserto, os Estados Unidos decidiram dar à Arábia Saudita “mais alguns dias” para explicar o sumiço do jornalista.

“Eu disse ao presidente Trump esta manhã que deveríamos dar a eles mais alguns dias, para que nós também tenhamos uma compreensão completa dos fatos (em torno do desaparecimento de Khashoggi)”, afirmou o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeu, ao retornar de sua visita ao príncipe-herdeiro saudita, Mohammed bin-Salman.

“Nós deixamos claro que levamos este caso muito a sério”, acrescentou ele, depois de reunião com Trump no Salão Oval . No Twitter, o presidente americano garantiu que discutiu o caso “em detalhes” com seu secretário de Estado, mas não disse uma palavra sobre possíveis medidas futuras.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira que os Estados Unidos têm “certa responsabilidade” no caso. “Ele (Khashoggi) vivia nos EUA. Não na Rússia, mas nos EUA. Neste sentido, os EUA têm certa responsabilidade pelo que aconteceu. É algo que está subentendido”, afirmou Putin durante seu discurso no fórum Valdai, em Sochi.

A Anistia Internacional, a Human Rights Watch, os Repórteres sem Fronteiras e o Comitê para a Proteção dos Jornalistas pediram à Turquia que solicite uma investigação da ONU sobre o caso Khashoggi.

(Com AFP)