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Secretário de Justiça dos EUA defende envio de forças federais a protestos

William Barr testemunhou ao Comitê Judiciário da Câmara nesta terça e negou que envio de agentes é parte de tentativa de impulsionar reeleição de Trump

Por Da Redação - Atualizado em 28 jul 2020, 19h40 - Publicado em 28 jul 2020, 19h09

Pela primeira vez desde que assumiu o cargo em 2019, o secretário de Justiça dos Estados Unidos, William Barr, testemunhou ao Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados nesta terça-feira, 28. Após de uma série de outras polêmicas envolvendo a sua independência da Casa Branca, Barr agora é criticado por enviar agentes de segurança federais para conter manifestações anti-racismo e anti-violência policial.

O presidente do Comitê, o deputado democrata Jerrold Nadler, abriu a audiência dizendo a Barr que “seu mandato é marcado por uma guerra persistente contra o núcleo técnico do Departamento [de Justiça], em um aparente esforço para garantir favores ao presidente”.

Em resposta, Barr afirmou sentir “total liberdade para fazer o que considero certo”. O secretário também negou as acusações de Nadler de que o envio de forças federais é parte de uma tentativa de impulsionar a campanha de reeleição de Trump, atrás do candidato presidencial democrata, Joe Biden, nas pesquisas de opinião.

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No início de julho, o Departamento de Justiça enviou agentes de segurança federais à cidade de Portland, na Costa Oeste, para, como definiu Barr, conter “tumultos”. O secretário defende o envio como uma medida necessária pra atos violentos.

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Protestos em diversas cidades e em maioria pacíficos contra o racismo e a brutalidade policial acontecem nos EUA desde 25 de maio, quando George Floyd, um homem negro, morreu asfixiado por um policial branco.

Após o primeiro envio de agentes, o governo americano anunciou, em meados de julho, que expandiria o uso da força tática federal para pelo menos outras oito cidades sob a Operação Legend.

Barr alega que, diferentemente do que ocorre em Portland, essa operação não se concentrará em combater “tumultos”, e sim “crimes violentos”.

Além de Portland e das cidades atingidas pela Operação Legend, a capital americana, Washington, está desde pelo menos o início de junho sob patrulha de agentes federais.

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Outras tropas de forças de segurança federais estão estacionadas em stand-by próximas à cidade de Seattle.

Os prefeitos de Portland, Washington, Seattle e de três cidades atingidas pela Operação Legend — Chicago, Albuquerque e Kansas City — instaram nesta terça-feira a Câmara dos Deputados a barrar o uso recente dos agentes de segurança federal.

Em junho, o Comitê Judiciário da Câmara  iniciou um amplo inquérito sobre a politização do Departamento de Justiça após uma série de intervenções de Barr em vários casos criminais de alto nível envolvendo pessoas próximas a Trump.

Em fevereiro, Barr reduziu a sentença do lobista Roger Stone, amigo de longa data de Trump que foi condenado por participação na tentativa de interferência russa nas eleições presidenciais de 2016. Em outro episódio, ele demitiu em julho o principal promotor federal em Manhattan, Geoffrey Berman, enquanto seu escritório investigava o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani.

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Barr insistiu que Trump “não tentou interferir nessas decisões”.

(Com Reuters)

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