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Secretário de Estado dos EUA anuncia pacto contra desmatamento da Amazônia

Blinken se negou a responder pergunta sobre histórico negativo do governo brasileiro no combate ao desmatamento

Por Da Redação 21 out 2021, 18h37

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, afirmou nesta quinta-feira, 21, que o governo americano lançará um pacto regional para reduzir o desmatamento na Amazônia, com foco em projetos que incentivam a troca de atividades extrativistas nocivas ao meio ambiente por outros setores, como turismo e cultivos locais.

O anúncio foi feito em uma visita à Colômbia, parte do roteiro da primeira viagem do chefe da diplomacia americana à América do Sul, que também inclui Equador. O Brasil ficou de fora da agenda, embora Blinken tenha conversado por telefone com o chanceler brasileiro.

De acordo com Blinken, os EUA vão finalizar já “nos próximos dias” uma “nova aliança voltada especificamente para o combate ao desmatamento associado à extração de matéria-prima”. A iniciativa, segundo ele, irá “fornecer informações úteis às empresas ara que possam realmente reduzir dependência ao desmatamento”. 

O pacto também incluiria apoio financeiro para ajudar a gerir áreas indígenas protegidas e apoiar o meio de subsistência de agricultores.

Perguntado nesta quinta-feira sobre o histórico negativo do governo de Jair Bolsonaro sobre o combate ao desmatamento, Blinken se negou a responder.

Preocupações com Brasil

O Brasil, país com maior território da Amazônia, é frequente alvo de preocupação internacional por sua gestão do meio ambiente. Apesar de ter dedicado parte de seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas para defender ações de seu governo para a proteção ambiental, especialistas argumentam que o presidente Jair Bolsonaro usou dados oficiais de forma desonesta para apresentar uma perspectiva positiva em relação ao tema.

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Em abril, em discurso na cúpula climática organizada pelos EUA, especialistas também levantaram dúvidas sobre as falas de Bolsonaro, afirmando que não seriam coerentes com políticas internas do chefe de Estado desde o início de seu mandato.

Além das metas para 2030 e 2050, o presidente prometeu também duplicar o orçamento para fiscalização ambiental. O governo federal, porém, cortou verbas do Ministério do Meio Ambiente para 2021. O corte causou redução de 27,4% do orçamento de 2021 destinado para fiscalização ambiental e combate de incêndios florestais.

A Amazônia perdeu 2,3 milhões de hectares em 2020, 17% a mais do que no ano anterior, o terceiro pior registro dos últimos 20 anos.

Um acordo entre a União Europeia e o Mercosul, por exemplo, é ponto de discussões por não conter cláusulas suficientes para proteger o meio ambiente no Brasil. Membros como França, Bélgica, Holanda, Áustria e Alemanha já expressaram dúvidas de que o governo brasileiro seguirá os compromissos ambientais firmados em um eventual acordo.

Recentemente, em depoimento à Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Estados Unidos, o ex-secretário de Estado americano John Kerry, maior autoridade do governo de Joe Biden para assuntos ligados ao clima, defendeu a necessidade de negociar acordos climáticos com o governo brasileiro, sob o risco de que a Amazônia “desapareça”.

Durante sua fala, Kerry demonstrou ceticismo sobre promessas ambientais do governo de Jair Bolsonaro, dizendo que “infelizmente, o regime Bolsonaro reverteu parte da fiscalização ambiental”. Ainda assim,  defendeu negociações com Brasília como melhor alternativa na busca pela proteção ambiental, dizendo ser preciso “descobrir o que está acontecendo”.

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