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Schettino pede perdão, mas se diz ‘vítima do sistema’

Capitão de navio naufragado sentiu grande dor pela perda da embarcação

Por Da Redação - 10 jul 2012, 15h03

O capitão do cruzeiro que naufragou em 13 de janeiro na Itália, Francesco Schettino, pediu perdão nesta terça-feira pelo acidente que causou a morte de 30 pessoas e deixou dois desaparecidos, mas também disse ser ‘vítima do sistema’. Schettino, que na semana passada teve a prisão domiciliar – que cumpria desde janeiro – suspensa por uma juíza, reconhece que jantou na noite do naufrágio do Costa Concordia com a moldávia Domnica Cemortan, mas só como amigos.

“Nunca pensei que pudesse ocorrer algo assim, e muito menos tinha qualquer intenção de fazer algo do tipo. No acidente não só o navio é identificado à empresa, mas também seu capitão. Portanto, é normal que eu tenha que pedir perdão a todos, justamente como representante desse sistema”, afirma Schettino, em um prévia da entrevista concedida à emissora Canale 5.

“Minhas condolências e meu pesar mais sincero vão às pessoas que infelizmente já não estão aqui. O dano financeiro certamente existe, os danos são as perdas, as pessoas que foram emocionalmente afetadas e no final, seguramente, pela empresa e o capitão do navio, que além disso foi vítima de todo este sistema”, acrescentou.

O capitão do navio da empresa Costa Cruzeiros garante que sentiu uma ‘grande dor pela perda da embarcação’, embora reconheça que não é comparável à dor ‘incomensurável’ que uma mãe que perde a uma filha em uma tragédia deste tipo sofre.

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Perante as especulações sobre a relação que mantinha com a jovem moldávia com a qual jantou na noite do acidente, Schettino comenta que é normal que tenha havido rumores porque ela é uma ‘pessoa sociável, simpática e um pouco amiga de todos’. No entanto, ele negou que a jovem moldávia estava na ponte de comando quando o navio bateu nas rochas, alegando que ela estava do lado de fora para que encontrassem um camarote para ela, que não pôde comprar uma passagem na Rússia.

Acusações – Schettino é acusado de homicídio culposo múltiplo, abandono da nave, naufrágio e de não haver informado imediatamente às autoridades portuárias da colisão contra um obstáculo que provocou o naufrágio da embarcação. Sobre essa acusação, o capitão do navio afirma que não se arrepende de não ter dado o sinal de alarme em seguida porque teria sido ‘uma imprudência’ e diz que preferiu manobrar para evitar que o Costa Concordia afundasse totalmente e houvesse danos aos botes salva-vidas.

O fato de que Schettino pode ter cobrado cerca de 50.000 euros (cerca de R$ 125.000) pela entrevista a um dos canais de televisão da Mediaset – o grupo audiovisual do ex-primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi – causou nesta terça uma grande repercussão na internet, o que obrigou o apresentador do programa a desmentir a informação. As suspeitas foram levantadas na semana passada, quando um dos advogados de Schettino explicou a uma jornalista que somente cobraria se fosse mantida a exclusividade da entrevista, depois da qual o capitão estaria disposto a falar com o restante da mídia.

(Com agência EFE)

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