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Sauditas vão a tribunal antiterror por defenderem direito de dirigir

Duas mulheres que desafiaram veto e conduziram carros estão presas há quase um mês. Tribunal decidiu transferir caso para Corte que julga crimes ligados ao terrorismo

Por Da Redação - 25 dez 2014, 17h30

Duas sauditas presas por desafiarem a proibição de dirigir serão julgadas por uma corte que julga casos de terrorismo. Loujain al-Hathloul, de 25 anos de idade, e Maysa al-Amoudi, de 33 anos, estão detidas há quase um mês. Lujain foi detida na fronteira com os Emirados Árabes quando tentava entrar na Arábia Saudita ao volante de seu veículo. Maysaa, jornalista saudita que chegou à fronteira para apoiá-la, também acabou sendo presa.

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As duas mulheres têm milhares de seguidores no Twitter (Loujain tem 228.000 e Al-Amoudi, 131.000, além de um programa no YouTube sobre a proibição de as mulheres dirigirem). Loujain usou seu perfil para descrever a longa espera na fronteira na tentativa de entrar na Arábia Saudita. Nesta quinta, uma corte em Al Ahsa, no leste do país, decidiu que elas deveriam ser julgadas por um tribunal em Riad que lida com casos de terrorismo. Segundo ativistas, a decisão judicial estaria baseada nas opiniões publicadas na internet. A Arábia Saudita está na lista dos “inimigos da internet” feita pela ONG Repórteres sem Fronteiras por exercer uma “censura implacável”. A defesa das duas mulheres deve apelar contra a decisão.

A Arábia Saudita é o único país no mundo em que mulheres são vetadas de conduzir um carro. A lei islâmica não proíbe mulheres ao volante, mas na Arábia Saudita as fatwas – decretos emitidos por autoridades religiosas – consideram isso um pecado grave. Além disso, apenas homens podem tirar a licença para dirigir. Ativistas lançaram uma série de campanhas, inclusive nas redes sociais, pedindo um relaxamento nas restrições, sem conseguir avanços.

À rede britânica BBC, a escritora e ativista saudita Hala al-Dosari disse que a transferência do caso para outro tribunal é a continuação dos esforços das autoridades para enfraquecer dissidentes. “Este não é um caso isolado. É apenas uma forma de frear o ímpeto das campanhas e o engajamento dos cidadãos”, disse.

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(Com agência France-Presse e Estadão Conteúdo)

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