Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês

Sarkozy quer demonstrar firmeza com prisão de 19 islamitas e novas operações

Por Por Charles Sicurani e Nicolas Gaudichet 30 mar 2012, 10h36

O presidente francês e candidato à reeleição Nicolas Sarkozy se situou nesta sexta-feira na linha de frente da luta contra o islã radical, após a prisão de 19 pessoas em uma França traumatizada pelas mortes de Toulouse, episódio que comparou ao 11 de setembro dos Estados Unidos.

“Esta operação não está vinculada simplesmente com Toulouse; é em todo o território, tem relação com uma forma de islamismo radical e é realizada em total acordo com a justiça”, declarou o presidente, candidato a um segundo mandado em eleições que serão realizadas nos dias 22 de abril e 6 de maio.

Ele informou que foram 19 as pessoas detidas. “Serão realizadas outras operações que também nos permitirão expulsar do território nacional um certo número de pessoas que não têm razão de estar aqui”, acrescentou Sarkozy.

Durante a operação foram apreendidas armas, entre elas fuzis e pistolas.

Esta operação, destinada, segundo a polícia, a desmantelar redes, foi realizada por agentes do serviço de contraespionagem e, em alguns casos, com o apoio da unidade de intervenção de elite da polícia. Ocorreu em Toulouse (sul), Nantes (oeste), Lyon (centro), Provença (sudeste) e na região de Paris.

Entre as pessoas detidas figura o líder do grupo radical proibido Forsane Alizza, Mohammed Achamlane.

Várias armas foram apreendidas em Nantes (oeste), segundo uma fonte policial, que enumerou “três Kalachnikovs, uma pistola Glock e uma granada”.

Continua após a publicidade

O grupo Forsane Alizza foi proibido em janeiro passado pelo ministério do Interior, que o acusou de querer formar simpatizantes para a luta armada.

Seu dirigente, Mohammed Achamlane, desmentiu então que seu movimento tivesse intenções violentas.

Entrevistado pela emissora Europe 1, Nicolas Sarkozy voltou a evocar nesta sexta-feira a matança realizada na região de Toulouse pelo jihadista francês Mohamed Merah.

“O trauma de Montauban e de Toulouse foi profundo em nosso país, um pouco, embora não queira comparar horrores, com o trauma sofrido nos Estados Unidos e em Nova York pelo caso de setembro de 2001, o 11 de setembro”, disse.

Nicolas Sarkozy participava nesta sexta-feira de uma transmissão de rádio no âmbito da campanha para a eleição presidencial, e o tema das mortes de Toulouse lhe deu uma chance de cultivar seu status presidencial, segundo os analistas.

Depois da morte de Merah, no dia 22 de março, o presidente pediu à polícia que fizesse uma avaliação da periculosidade das pessoas conhecidas por ter vínculos com o islã radical.

Também propôs medidas para punir penalmente os indivíduos que consultassem sites extremistas e que viajassem a países estrangeiros, como Afeganistão e Paquistão, com fins de doutrinamento.

Na quinta-feira, o governo proibiu a entrada na França de quatro pregadores muçulmanos que participariam de um congresso islâmico na região parisiense.

Continua após a publicidade

Publicidade