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Salvadorenho deportado por erro do governo Trump é libertado nos EUA

Preso pelo ICE após voltar para território americano, Kilmar Abrego García aguarda decisão judicial em liberdade após expulsão injusta e meses de detenção

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 dez 2025, 15h15 | Atualizado em 12 dez 2025, 15h57
Salvadorenho deportado por erro do governo Trump é libertado nos EUA Priorize VEJA no Google

O salvadorenho Kilmar Abrego García foi libertado na quinta-feira 11, após decisão de uma juíza dos Estados Unidos que emitiu uma ordem de restrição temporária impedindo sua detenção pelo ICE, a polícia de imigração americana. García compareceu à sua audiência de controle migratório sem ser preso e permanecerá em liberdade enquanto o caso segue em tramitação judicial.

O episódio é parte de uma sequência de erros administrativos e processos controversos ligados à ofensiva anti-imigração do governo Trump. Em março, ele foi detido pelo ICE enquanto dirigia com seu filho em Maryland e deportado para El Salvador três dias depois, mesmo possuindo uma proteção legal vigente que impedia sua remoção.

Um juiz já havia reconhecido que García corria risco de vida caso retornasse a El Salvador e concedeu a ele o status de “retenção de remoção” — proteção que lhe permitia viver e trabalhar nos EUA, embora sem direito à residência permanente. Apesar disso, a deportação de 2025 ocorreu de forma sumária e sem respaldo jurídico. A defesa afirma que García nunca teve problemas com a Justiça após a concessão do status, mantendo apenas os contatos obrigatórios com o ICE.

García havia fugido de El Salvador aos 16 anos após ameaças de uma das gangues mais poderosas do país, a Barrio 18. Em 2016, conheceu Jennifer Stefania Vasquez Sura, cidadã americana, com quem se casou três anos depois. Os dois tiveram um filho, nascido nos EUA, e juntos também criaram dois filhos de Jennifer de um relacionamento anterior, ambos com deficiência.

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Em 2019, García foi detido em um estacionamento enquanto procurava trabalho como diarista. Na época, ele foi acusado de ser membro da gangue rival da Barrio 18, a MS-13, mas a alegação não foi comprovada e ele não chegou a ser indiciado por nenhum crime.

Após a deportação no início deste ano, García foi enviado ao Centro de Confinamento para Terroristas (Cecot), a megaprisão que é joia da coroa da máquina de repressão a gangues do governo Nayib Bukele, em El Salvador, onde, segundo relatos da defesa, foi torturado. A pressão internacional e o reconhecimento do erro administrativo resultaram em seu retorno aos Estados Unidos em junho de 2025. No entanto, três meses depois, foi novamente detido pelo ICE.

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“Hoje me apresento com a cabeça erguida e continuarei lutando contra todas as injustiças cometidas por este governo”, afirmou García a apoiadores em Baltimore após ser libertado novamente na quinta-feira 11. Seu advogado, Simon Sandoval-Moshenberg, destacou que a decisão judicial representa “uma vitória do direito sobre o poder”, mas alertou que a batalha legal ainda não terminou.

García e sua família vivem em Maryland, onde ele trabalha como operário metalúrgico. Sua história se tornou símbolo das falhas do sistema americano no tratamento a imigrantes protegidos pela lei.

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O governo dos Estados Unidos já anunciou que pretende recorrer da decisão da juíza, sinalizando que a disputa judicial continuará. Enquanto isso, porém, o salvadorenho permanece em liberdade, cercado pela família que construiu em solo americano.

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