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Sabe aquela do argentino? O papa Francisco contou

Em entrevista a emissora mexicana, pontífice faz piada sobre ego dos argentinos e diz que ‘se sente usado’ pela política. Também volta a prever um pontificado curto

Por Da Redação - 13 mar 2015, 19h57

“Você sabe como um argentino comete suicídio? Ele sobe no ego e se joga lá de cima”. A piada foi o arremate do papa Francisco ao falar sobre a falta de humildade de seus compatriotas em uma entrevista à emissora mexicana Televisa. Ele também falou que “algumas vezes se sentiu usado pela política” de seu país de origem.

“Tenho que dizer que algumas vezes me senti usado pela política do país. Por políticos argentinos que pediam audiência (…) Os argentinos, quando viram um papa argentino, se esqueceram de todos os que estavam a favor ou contra o papa argentino”, disse. “Sei que muita gente, a maioria sem querer, alguns querendo, usam a vinda aqui ou uma carta minha ou um telefonema”, acrescentou. Em uma entrevista anterior ao jornal La Nación, o pontífice já havia mencionado problemas que a relação com dirigentes políticos pode trazer, chegando a prometer que “não receberia mais” políticos em reuniões privadas.

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Pontificado breve – O papa também voltou a citar a possibilidade de seu pontificado ser curto. “Tenho a sensação que meu pontificado será breve. Quatro ou cinco anos. Não sei, ou dois, ou três. Pelo menos dois já passaram. É uma sensação estranha”. Ele considerou corajosa a atitude de Bento XVI, que renunciou ao cargo em vez de ocupá-lo até morrer, mas posicionou-se contra a ideia de que uma idade máxima seja estabelecida para os papas renunciarem. Em dezembro do ano que vem, o pontífice completará 80 anos de idade. Três meses depois, celebrará quatro anos de sua eleição.

Questionado sobre se gostava de ser papa, disse “não se importar”. “A única coisa que eu gostaria de fazer é sair um dia, sem ser reconhecido, e ir comer uma pizza”. Ele afirmou sentir falta de seus dias de arcebispo em Buenos Aires, quando podia andar pela cidade livremente. Mas ressaltou que “não se sente sozinho”.

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México – O papa também voltou a falar sobre a criminalidade no México, poucas semanas depois de o governo do país ter se queixado de uma declaração do pontífice expressando preocupação com a “mexicanização” da Argentina em razão da violência relacionada às drogas. “Acho que o diabo está punindo o México com grande fúria”, disse na entrevista à televisão mexicana.

Foi uma resposta quando o assunto em pauta era o assassinato de 43 estudantes no ano passado. Argumentando que o diabo está com raiva do México por sua fé cristã, Francisco disse que “todos têm que contribuir para resolver” os males da criminalidade que aflige o país.

Sobre o termo ‘mexicanização’, explicou (ou pelo menos tentou explicar): “Está claro que é um termo técnico. Não tem nada a ver com a dignidade do México. Como quando falamos de balcanização, nem os sérvios, nem os macedônios, nem os croatas ficam bravos”.

(Da redação)

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