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Russos votam sob tensão e sites de notícias são bloqueados

Os russos começaram a votar este domingo em eleições legislativas que devem manter a domínio do partido Rússia Unida de Vladimir Putin, em um clima e tensão marcado por vários sites independentes sendo vítimas de ataques por hackers.

Pela manhã, vários sites se encontravam inacessíveis, entre eles os de meios de comunicação e o de uma ONG que registra as fraudes eleitorais, na mira do poder há uma semana.

Os alvos foram particularmente os sites da rádio Eco de Moscou, do jornal Kommersant, New Times, da ONG Golos, assim como o portal interativo O guia das fraudes (http://www.kartanarussheniy.ru).

“O ataque está dirigido contra todos os portais que relatarão o que acontece nas eleições”, declarou à AFP um porta-voz da Golos, Dmitri Merechko.

O redator-chefe da rádio Eco de Moscou, Alexei Venediktov, foi o primeiro a denunciar os ataques no domingo de manhã.

“É claro que é uma tentativa de dificultar a publicação de informações sobre as fraudes”, escreveu no twitter o responsável desta rádio controlada pelo consórcio de gás Gazprom, mas que até agora é a principal estação a fornecer informações independentes.

Já no sábado houve denúncias sobre ataques contra a plataforma Live-Journal, um dos principais partais base de blogs.

Outro porta-voz da Golos, ONG financiada por fundos ocidentais, denunciou ter todos seus sistemas de comunicação eletrônicos pela internet bloqueados.

No sábado, Golos tinha denunciado uma “campanha de perseguição por parte do poder”, logo que o presidente da organização foi retido na alfândega de um aeroporto de Moscou durante doze horas e teve o computador confiscado.

Na sexta-feira, esta ONG foi declarada culpada de violar a lei eleitoral e condenada a uma multa de 30 mil rublos (938 dólares).

Há uma semana no congresso da Rússia Unida, o próprio Putin tinha atacado as ONGs russas financiadas pelo exterior.

Por sua vez, o redator-chefe da Gazeta.ru, Mikhail Kotov, informou à Interfax que tinha sido convocado no domingo, pelo serviço federal dos meios, que o acusa de “violações na cobertura das eleições”.

Os locais de votação estavam abertos desde às 8 horas locais em Moscou e oito horas depois nas regiões do Extremo Oriente e fecharam às 17 horas no oeste.

Além da Rússia Unida, três outras formações da atual Assembleia, o Partido Liberal Democrata e Rússia Justa (centro-esquerda) deveriam superar os 7% necessários para continuar presentes na Duma.

O partido de oposição Iabloko tem poucas possibilidades. A seu lado, o partido opositor Parnass, que foi impedido de participar, pediu, assim como a oposição radical, o boicote das eleições.

“Essas são as eleições mais escandalosas da história russa”, declarou o cientista político Dimitri Orechkin, fundador do movimento “Observador Cidadão”, associado à ONG Golos.

Contudo, o Rússia Unida, que domina a cena política há uma década não deveria manter sua maioria de dois terços na Duma. Segundo uma primeira pesquisa do instituto independente Levada, em novembro, o partido de Putin, cuja lista é encabeçada pelo presidente Dmitri Medvedev, registrava 56% das intenções de voto, perdendo 12 pontos em um mês.

Cerca de 110 milhões de eleitores estão convocados a votar para eleger os 450 deputados da Câmara Baixa do Parlamento (Duma), nas eleições que são um a prova para o primeiro-ministro Putin, que se prepara para voltar ao Kremlin em 2012, depois dos mandatos como presidente em 2000 e 2008.

No final da manhã, a participação eleitoral era de cerca de 25%. O presidente Dmitri Medvedev e o primeiro-ministro Vladimir Putin votaram em seus respectivos colégios eleitorais na capital russa.

Militantes do movimento de oposição Frente de Esquerda foram interpelados próximo ao Kremlin quando se manifestavam sem autorização, observou um jornalista da AFP. O chefe do movimento, Serfuei Udaltsov foi detido antes de chegar ao local, segundo sua esposa.

Centenas de policiais foram enviados ao bairro da Praça Vermelha, onde movimentos da oposição nacionalista e das juventudes Nachi, pró-governamentais, convocaram 15 mil militantes, para manifestações para domingo à noite, para “neutralizar” toda ação que questionasse as eleições.