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Rússia se prepara para próxima ofensiva na Ucrânia

Diante de novas armas ocidentais, Rússia se reagrupa para atacar Sloviansk, diz Kyiv. Moscou ordena medidas para evitar ataques ucranianos no leste

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 17 jul 2022, 14h45 - Publicado em 17 jul 2022, 14h36

“A Rússia está se preparando para a próxima etapa de sua ofensiva na Ucrânia”, disse Vadym Skibitskyi, porta-voz da inteligência militar ucraniana, na noite de sábado, 16, após Moscou declarar que as operações militares se intensificariam em “todas as áreas operacionais”.

À medida que as entregas ocidentais de armas de longo alcance começam a ajudar a Ucrânia no campo de batalha, foguetes e mísseis russos atingem cidades em ataques à capital ucraniana Kyiv, onde morreram dezenas de pessoas nos últimos dias. “Não são apenas ataques de mísseis do ar e do mar”, declarou Skibitskyi. “Podemos ver bombardeios ao longo de toda a linha de contato e a linha de frente. Há um uso ativo de aviação tática e helicópteros de ataque. Claramente os preparativos estão em andamento para a próxima etapa da ofensiva”.

Os militares ucranianos disseram que a Rússia parecia estar reagrupando unidades para uma ofensiva em direção a Sloviansk, uma cidade simbolicamente importante mantida pela Ucrânia na região leste de Donetsk. Segundo o Ministério da Defesa britânico, a Rússia também reforça as defesas nas áreas que ocupa no sul da Ucrânia, após pressão das forças armadas e promessas de líderes ucranianos de expulsar a Rússia.

De acordo com as autoridades da Ucrânia, pelo menos 40 pessoas foram mortas em bombardeios russos em áreas urbanas desde a última quinta-feira 14, com a intensificação da guerra lançada pelo presidente russo, Vladimir Putin, em 24 de fevereiro, inclusive a menina Liza Dmytrieva, de 4 anos, morta em um ataque com mísseis no centro de Vinnytsia na quinta-feira, que matou 24 pessoas, segundo autoridades ucranianas.

Foguetes também atingiram a cidade de Chuhuiv, no nordeste da região de Kharkiv, na noite de sexta-feira 15, matando três pessoas, incluindo uma mulher de 70 anos, e ferindo outras três, segundo informações do o governador regional Oleh Synehubov. Ao sul, mais de 50 foguetes russos atingiram a cidade de Nikopol, no rio Dnipro, matando duas pessoas que foram encontradas nos escombros, delcarou o governador Valentyn Reznichenko.

OITO ANOS DEPOIS

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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse que a Rússia continua a semear luto e morte em solo ucraniano oito anos depois da derrubada do voo MH17 da Malaysia Airlines sobre o leste da Ucrânia, em 17 de julho de 2014, por um míssil provavelmente disparado por milícias apoiadas pela Rússia na região.

Zelenskiy disse que seus pensamentos estavam com os parentes dos mortos e que nada ficaria impune. “Todo criminoso será levado à justiça!”, escreveu no Twitter.

Moscou, que chama a invasão de “operação militar especial” para desmilitarizar seu vizinho e erradicar nacionalistas, diz que usa armas de alta precisão para degradar a infraestrutura militar da Ucrânia e proteger sua própria segurança. A Rússia tem negado repetidamente atacar civis.

Kyiv e o Ocidente dizem que o conflito é uma tentativa não provocada de reconquistar um país que se libertou do domínio de Moscou com o desmembramento da União Soviética, em 1991.

O ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, ordenou que as unidades militares intensifiquem as operações para evitar ataques ucranianos no leste do país e em outras áreas controladas pela Rússia, onde “Kyiv pode atingir infraestrutura civil ou moradores”. Suas declarações, dadas no sábado 16, pareciam uma resposta direta ao que Kyiv diz ser “uma série de ataques bem-sucedidos realizados em 30 centros russos de logística e munições”, usando vários sistemas de lançamento de foguetes múltiplos recentemente fornecidos pelo Ocidente.

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“Os ataques estão causando estragos nas linhas de suprimentos russas e reduziram significativamente a capacidade ofensiva da Rússia”, declarou o porta-voz do Ministério da Defesa da Ucrânia, nesta sexta-feira, 15. Ele destacou ainda os sistemas de foguetes de artilharia de alta mobilidade (HIMARS) fabricados nos Estados Unidos, que Kyiv começou a receber no mês passado. “Bom dia da HIMARS”, escreveu Andriy Yermak, chefe de gabinete do presidente da Ucrânia, no Telegram, ao lado de um vídeo mostrando uma grande explosão que, segundo ele, foi outro depósito de munição russo destruído no sul da Ucrânia.

Vadym Skibitskyi, funcionário da inteligência militar ucraniana, informou que o HIMARS poderia ser usado em alvos na Crimeia, anexada da Ucrânia pela Rússia em 2014, quando também apoiou separatistas armados no leste do país.

O ex-presidente russo Dmitry Medvedev declarou que a recusa das potências da Ucrânia e da Otan em reconhecer a autoridade de Moscou sobre a Crimeia representa uma “ameaça sistêmica” para a Rússia, que tem lá a sede de sua frota do Mar Negro.

Separatistas apoiados pela Rússia disseram que a Ucrânia atingiu a cidade de Alchevsk, a leste de Sloviansk, com seis foguetes HIMARS. A autodenominada República Popular de Luhansk disse que os ataques mataram dois civis e danificaram um depósito de ônibus, um campo de saúde e apartamentos. As forças armadas da Ucrânia argumentaram que atacaram o depósito de ônibus porque tinham informações de que estava sendo usado para abrigar tropas russas.

O Ministério da Defesa russo informo que suas forças destruíram uma rampa de lançamento e um veículo de recarga para um dos sistemas HIMARS implantados perto da cidade oriental de Pokrovsk. Já o chefe da polícia regional de Pokrovsk, Ruslan Osypenko, disse que uma área residencial foi bombardeada pela Rússia com vários lançadores de foguetes e que houve mortos e feridos. Ele divulgou um vídeo de casas danificadas e moradores descrevendo o ataque.

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