Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Rússia retira parte das tropas, mas reafirma controle sobre a Crimeia

Enquanto Putin ordena uma “retirada parcial” dos soldados que estavam na fronteira ucraniana, o premiê russo anuncia medidas econômicas para a Crimeia

O presidente russo Vladimir Putin ordenou nesta segunda-feira uma “retirada parcial” das tropas que estavam postadas na fronteira a Leste da Ucrânia desde a anexação da península da Crimeia, informou o escritório da chanceler alemã Angela Merkel à rede BBC. O gabinete do governo acrescentou que Putin e Merkel também discutiram “medidas futuras para estabilizar a situação na Ucrânia e na Transnístria”, em referência à região pró-Moscou localizada na Moldávia. Uma nota divulgada pelo Kremlin confirmou que os políticos conversaram sobre as “oportunidades de apoio internacional para restaurar a estabilidade na Ucrânia”, mas não fez comentários sobre o recuo militar.

Leia também:

ONU aprova resolução contra anexação da Crimeia

Ucrânia registra 46 candidatos à eleição presidencial

Putin e Obama discutem solução para crise da Crimeia

Mesmo com o comunicado, a BBC reporta que milhares de soldados ainda estão posicionados na região fronteiriça. Fontes ligadas à Otan afirmaram que houve uma movimentação de tropas, mas que é muito difícil de avaliar a sua relevância no momento. Em condição de anonimato, um diplomata ocidental cogitou que aproximadamente 40.000 russos estão em posição de ataque na fronteira. Ele destacou que os homens ainda oferecem uma potencial ameaça de intimidação para a Ucrânia.

A retirada das tropas estava prevista, entre outras medidas, no plano diplomático que o secretário de Estado americano, John Kerry, discutiu com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em Paris. Jornais russos pontuaram que é improvável que Putin aceite a maioria das condições propostas pelos Estados Unidos. Prova disso foi a desafiadora visita do primeiro-ministro Dimitri Medvedev à cidade de Simferopol, capital da Crimeia, horas depois da discussão entre Kerry e Lavrov. Um porta-voz da chancelaria ucraniana chegou a classificar a visita de estado de uma “cruel violação” das leis internacionais.

Economia – O propósito da viagem de Medvedev era anunciar medidas que acelerarão a inclusão da Crimeia na economia russa. Segundo o jornal The New York Times, as primeiras leis aprovadas determinam o aumento da pensão recebida por aposentados na península e do salário de funcionários públicos, como professores e médicos. Embora a aposentadoria paga pelo governo russo seja relativamente baixa para os padrões de um país desenvolvido (algo em torno de 277 dólares), os ganhos são consideravelmente maiores do que os idosos recebiam anteriormente (160 dólares). Este foi, inclusive, um dos motivos que levaram os crimeanos a aprovarem a anexação com a Rússia, uma vez que boa parte dos aposentados da região é constituída por militares veteranos soviéticos.

Saiba mais:

As pendências na transição da Crimeia para a Rússia

Medvedev também determinou a criação de um novo gabinete para supervisionar as demandas crimeanas. Ele será chefiado por Dimitri Kozak, atual responsável pelos serviços federais da região.O premiê também apresentou um plano para criar um sistema de abastecimento de água na península totalmente desvinculado da Ucrânia. Neste momento, a região ainda depende do fornecimento captado do Rio Dniepre, que está em solo ucraniano. O novo sistema seria composto por uma usina de dessalinização que obteria a água do Mar de Azov, pertencente à região crimeana. A tendência é que o governo ucraniano não interrompa o fornecimento de água para a península, mas institua uma cobrança sobre o serviço.