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Rússia propõe nova resolução sobre a Síria na ONU

Proposta condena violência 'de todas as partes' e relativiza a responsabilidade do regime de Bashar Assad por mortes; EUA e Europa querem negociar

A Rússia surpreendeu a comunidade internacional nesta quinta-feira ao apresentar um projeto de resolução ao Conselho de Segurança da ONU que condena a violência na Síria. O documento, porém, não responsabiliza apenas o regime do ditador Bashar Assad pelo massacre de mais de 5.000 pessoas, conforme relatório das Nações Unidas. De acordo com o texto apresentado pela Rússia, os ataques no conflito entre manifestantes pró-democracia e forças de segurança do governo vêm de “todas as partes”.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança do ditador, que já mataram mais de 5.000 pessoas no país, de acordo com a ONU, que vai investigar denúncias de crimes contra a humanidade no país.
  3. • Tentando escapar dos confrontos, milhares de sírios cruzaram a fronteira e foram buscar refúgio na vizinha Turquia.

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No texto da proposta russa, condena-se a violência perpretada “por todas as partes, incluindo o uso desproporcional da força por parte das autoridades sírias”, o que desagradou muitos países-membros do Conselho de Segurança. Após analisarem a proposta, diplomatas dos Estados Unidos e União Europeia, que formam o bloco que mais tem cobrado uma ação contra Assad, qualificaram a resolução russa como inaceitável – mas afirmaram que o tema é negociável.

O embaixador da França nas Nações Unidas, Gérard Araud, destacou que, ao menos, o fato da Rússia ter decidido sair da inação é “extraordinário” – para propor uma nova resolução sobre a Síria, a Rússia pediu uma reunião de emergência dos 15 países integrantes do Conselho de Segurança. Aliados do presidente sírio, os russos barraram em outubro uma resolução do Conselho de Segurança sobre a crise no país islâmico. Na época, a intervenção proposta pelos países europeus para condenar os ataques de Assad contra os manifestantes também foi vetada pela China.

(Com agência France-Presse)