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Rússia nega planejar intervenção unilateral na Ucrânia

Para os EUA, ajuda de emergência deve ser feita por organizações humanitárias e que considerará 'uma invasão' qualquer movimentação russa na Ucrânia

Por Da Redação 9 ago 2014, 15h42

A Rússia desmentiu neste sábado ter tentado enviar tropas ao território ucraniano e afirmou que não planeja qualquer tipo de ação unilateral na Ucrânia, nem mesmo por motivos humanitários. “A nós custa entender a que se refere a Ucrânia. As forças russas não tentaram em qualquer momento penetrar em território ucraniano”, declarou às agências de notícias russas o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov. A Ucrânia insiste que pode haver uma intervenção russa sob o pretexto de uma operação humanitária no leste de seu território, onde os combates com os rebeldes pró-russos deixaram mais treze soldados ucranianos mortos.

O presidente americano Barack Obama e o primeiro-ministro britânico David Cameron, em uma conversa por telefone neste sábado, concordaram que qualquer pretensa missão humanitária na Ucrânia poderá ser considerada ilegal. “Os dois dirigentes exprimiram sua grande preocupação a respeito de informações indicando que veículos militares russos passaram pela fronteira e entraram na Ucrânia e que as forças armadas russas realizam exercícios para uma ‘intervenção humanitária”, segundo afirma um comunicado do gabinete de Cameron.

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Os Estados Unidos já haviam advertido que qualquer ajuda de emergência deve ser distribuída por organizações humanitárias e que considerará “uma invasão” qualquer tipo de intervenção unilateral da Rússia na Ucrânia. Os combates se intensificaram nos últimos dias. A cidade de Donetsk, capital da região homônima no leste ucraniano, amanheceu neste sábado ao som de explosões e disparos. A prefeitura informou que um morteiro caiu em um prédio da cidade, matando um civil.

O novo “primeiro-ministro” da autoproclamada República de Donetsk, Alexander Zajarchenko, reconheceu que a cidade de um milhão de habitantes estava cercada pelas forças ucranianas. A situação é cada vez mais complicada para os civis, depois de quatro meses de um conflito que deixou mais de 1.300 mortos e 300.000 pessoas deslocadas, refugiadas na Rússia ou em outras zonas da Ucrânia.

Sanções contra sanções – Enquanto o Exército ucraniano procura libertar as cidades controladas pelos insurgentes pró-russos, Kiev anunciou na sexta-feira novas sanções contra a Rússia. Os russos optaram na quinta-feira por responder às sanções impostas pelos EUA e pela União Europeia (UE) após o incidente com o avião da Malaysia Airlines, que vitimou 298 pessoas. O primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, anunciou sanções de seu país contra 172 pessoas e 65 empresas, principalmente russas, acusando-as de terem apoiado a anexação da Crimeia ou de terem financiado a rebelião pró-russa no leste da Ucrânia.

Yatseniuk não revelou a lista das pessoas e empresas punidas. Ela deverá ser aprovada pelo Conselho de Segurança e Defesa e adotada pelo Parlamento na terça-feira. Entre as possíveis sanções, estão a proibição de entrar no país e o congelamento de ativos. O primeiro-ministro também mencionou a possibilidade de proibição da entrada de recursos naturais, no momento em que cerca da metade do gás consumido na União Europeia passa por território russo. Além disso, a Austrália anunciou nesta sexta o reforço em breve de suas sanções contra Moscou. Na quinta-feira, a Rússia havia proibido durante um ano a importação de produtos agroalimentares europeus e americanos em resposta às sanções decretadas por Estados Unidos e UE contra Moscou, a quem consideram responsável pela crise na Ucrânia.

Putin pede cooperação – Apesar do recente ciclo de sanções recíprocas motivadas pela situação na Ucrânia, o presidente russo Vladimir Putin pediu neste sábado uma maior cooperação econômica com o Ocidente em nome do “bom senso”, ao lançar um projeto de exploração petroleira russo-americano no Ártico. A americana ExxonMobil e a estatal russa Rosneft iniciaram a exploração de uma área no Mar de Kara, norte da Sibéria, prevista para durar até o final de outubro. “Nós parabenizamos este projeto e estamos dispostos a estender nossa cooperação com nossos sócios”, declarou Putin, que falou por videoconferência em Sochi, no sul da Rússia.

“As empresas, incluindo as principais firmas russas e estrangeiras, compreendem muito bem a necessidade desta cooperação. O pragmatismo e o sentido comum prevalecem, apesar das dificuldades do contexto político atual, e isso é muito satisfatório”, acrescentou. O projeto de exploração russo-americano no Ártico não foi afetado, segundo as autoridades russas, pelas recentes sanções ocidentais que proíbem, entre outras coisas, a exportação de armas e de alguns materiais como equipamento petroleiro para a Rússia.

(Com agências France-Presse e Reuters)

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