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Rússia muda o tom e se mostra favorável à mediação dos EUA no conflito ucraniano

A poucas horas de encontro entre Obama e Putin, chanceler russo diz que ação dos EUA na Ucrânia seria positiva, mas que novas sanções dependerão da Rússia

A Rússia mudou o tom das discussões com os Estados Unidos sobre o conflito na Ucrânia neste sábado. Depois de se reunir, em Pequim, com o secretário de Estado americano John Kerr, o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, afirmou que a mediação dos EUA na questão “seria um passo na direção certa”. “Se Washington está interessado em contribuir com a reconciliação e criar um diálogo entre Kiev (capital ucraniana) e os líderes rebeldes, creio que seria um passo na direção certa”, afirmou à televisão russa.

As declarações de Lavrov marcam uma aproximação da Rússia com os EUA poucas horas antes de os presidentes russo, Vladimir Putin, e americano, Barack Obama, se encontrarem no Fórum Econômico Ásia Pacífico (Apec), realizado na China. Oficialmente, o Fórum será realizado nos dias 10 e 11 de novembro, mas as autoridades se reunirão antes. Eles também devem se encontrar durante a reunião do G20, grupo das vinte maiores economias do mundo, na Austrália no fim da próxima semana.

Antes da conversa com Lavrov, porém, Kerr alertou que o desenrolar das sanções à Moscou devido ao conflito no leste da Ucrânia será determinado a partir das decisões que a própria Rússia tomar daqui para frente. “Certamente mantemos vários desacordos sobre algumas atuações na Ucrânia”, disse Kerry em entrevista coletiva.

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Na sexta-feira as autoridades de Kiev denunciaram a incursão de 32 tanques, peças de artilharia e soldados procedentes da Rússia no leste da Ucrânia, reduto dos separatistas pró-russos, onde nas últimas 48 horas morreram seis militares e mais de 40 pessoas ficaram feridas.

Os Estados Unidos condenaram as ‘ilegítimas’ eleições separatistas realizadas no domingo passado no leste da Ucrânia e criticaram Moscou por reconhecê-las. Além disso, os EUA ameaçaram aumentar as sanções contra a Rússia caso as ‘ações desestabilizadoras’ continuem.

Apesar dos atritos, o secretário de Estado americano disse que chegou a um acordo com Lavrov para trocar informações à respeito do conflito no leste da Ucrânia e que o diálogo continuará. “Nossa esperança é que o processo de Minsk (assinado em 5 de setembro) possa continuar e que, com o tempo, seja possível a retirada das tropas, a fronteira fechada e a estabilidade outra vez para todo o mundo”, afirmou Kerry, lembrando que isso depende das ações da Rússia.

Moscou, por sua vez, criticou na segunda-feira as novas sanções que os Estados Unidos ameaçam impor por causa das eleições. Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Grigori Karasin, a Rússia “respeita a vontade popular dos habitantes do sudeste” da Ucrânia.

Na sexta-feira, em visita à Berlim, o último dirigente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, defendeu a Rússia e disse que irá falar em breve sobre a crise política na Ucrânia com a chanceler alemã Angela Merkel. “Defenderei com firmeza a Rússia e seu presidente Vladimir Putin no fórum político que acontecerá no domingo, à margem das celebrações em Berlim”, disse Gorbachev à agência russa Interfax.

(Com agências EFE)