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Rússia insiste em que seja retirada ameaça de ação militar contra a Síria

Putin afirma que plano de colocar armas químicas sob controle internacional só funcionará se Estados Unidos e aliados "renunciarem ao uso da força"

O presidente Vladimir Putin afirmou nesta terça-feira que o plano de colocar o estoque de armas químicas da Síria sob supervisão internacional só funcionará “se os Estados Unidos e seus aliados na questão se comprometerem a renunciar ao uso da força”. “É difícil fazer qualquer país – seja a Síria ou qualquer outro país do mundo – se desarmar de forma unilateral se uma ofensiva está sendo considerada”, ressaltou o presidente russo em declarações transmitidas pela TV. Putin disse ainda que a Síria sempre viu seu arsenal de armas químicas como “uma alternativa às armas nucleares de Israel”.

O governo russo rejeitou a resolução sugerida pela França para a crise na Síria a ser discutida pelo Conselho de Segurança da ONU. O governo francês propôs um texto a ser construído sob o capítulo 7 da Carta da ONU, que permite o uso de todos os meios, inclusive uma ação militar, para assegurar a aplicação do que for decidido pelo conselho. A proposta francesa também incluiria a “condenação do massacre do dia 21 de agosto cometido pelo regime”. O chanceler russo, Sergei Lavrov, considerou “inaceitável” o texto aventado pelos franceses. “A proposição da França de aprovar uma resolução do Conselho de Segurança da ONU atribuindo às autoridades sírias a responsabilidade por uma possível utilização de armas químicas é inaceitável”, declarou a chancelaria, em comunicado.

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Proposta – Depois de conversar com Lavrov, o secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou que a Rússia enviará aos EUA ainda nesta terça detalhes da proposta sobre o arsenal químico da Síria. Kerry afirmou ainda que o plano deve incluir um “processo verificável” com acesso internacional a todos os locais suscetíveis de abrigar armas químicas. Além disso, os EUA defendem que o plano mencione as “consequências” para o caso de o plano não passar de uma manobra para ganhar tempo.

Mais cedo, o primeiro-ministro britânico disse que uma resolução sobre o tema deveria garantir que a oferta russa não é “uma artimanha”. “Precisamos de um cronograma, um processo e consequências para o caso de não ser feito”, disse David Cameron.

A Rússia havia solicitado uma reunião de emergência do Conselho de Segurança nesta terça, mas retirou o pedido.

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Síria – O ministro de Relações Exteriores da Síria, Walid al-Moualem, afirmou que o regime está disposto a passar a fazer parte da Convenção de Armas Químicas, segundo informação da agência de notícias russa Interfax. “Estamos prontos para honrar nossos compromissos com base nesta convenção, incluindo fornecer informações sobre essas armas”, disse o chanceler.