Rússia faz manobras com navio de guerra no Canal da Mancha e acende alerta em Londres
Exercício militar com fragata de 130 metros, equipada com mísseis, teve disparos com fogo real no dia da posse do novo premiê britânico
Um navio de guerra russo realizou manobras com fogo real no Canal da Mancha, em frente à costa britânica, informou nesta terça-feira, 21, o Ministério da Defesa do Reino Unido.
As manobras com o Neustrashimy, uma fragata da Marinha russa, ocorreram na segunda-feira 20, “a cerca de 40 milhas náuticas (75 quilômetros) de Plymouth”, cidade portuária no sudoeste da Inglaterra, indicou um porta-voz do ministério.
“A Royal Navy (Marinha britânica) supervisionou o exercício, continua acompanhando de perto a atividade do navio e está preparada para proteger a segurança do Reino Unido”, acrescentou o porta-voz.
O ministério detalhou que o navio russo havia informado previamente ao navio-patrulha britânico HMS Tyne, que se encontrava na área, sua intenção de realizar esses disparos e pediu que se colocasse a uma distância mais segura.
O exercício, descrito como “incomum” pelo jornal britânico The Guardian, durou cerca de trinta minutos.
O Neustrashimy, com 130 metros de comprimento, está armado com mísseis de cruzeiro antinavio e um canhão de 100 mm capaz de disparar 50 projéteis por minuto. A embarcação também conta com metralhadoras rotativas do tipo Gatling como parte de seus sistemas de defesa aérea. Não foi confirmado quais armas foram disparadas durante o teste.
A fragata chegou à costa britânica no início deste mês, substituindo o Admiral Grigorovich, que havia cumprido uma missão prolongada de três meses, geralmente no Canal da Mancha ou no Mar do Norte.
Tensões
As manobras ocorreram no mesmo dia em que assumiu o poder o novo primeiro-ministro britânico, o trabalhista Andy Burnham, em um contexto de tensões crescentes com a Rússia no Canal da Mancha e, em geral, nas águas do norte da Europa.
Em meados de junho, forças britânicas interceptaram um petroleiro pertencente à chamada “frota fantasma” russa no Canal da Mancha.
Dois dias depois, um veleiro com matrícula britânica informou que havia recebido tiros de advertência efetuados por um navio de guerra russo enquanto navegava perto da Ilha de Wight, no sul da Inglaterra, embora fora das águas territoriais do Reino Unido.
O então primeiro-ministro, também trabalhista, Keir Starmer, classificou a ação como “imprudente”, enquanto o Ministério da Defesa russo assegurou que o veleiro estava se aproximando “perigosamente” da fragata.
Moscou indicou nesta terça-feira que não alimenta “nenhuma esperança” de que as relações com Londres melhorem após a chegada ao poder de Burnham, que anunciou na segunda-feira seu apoio “100%” à Ucrânia no conflito armado que mantém com a Rússia.







