Rússia estenderá o asilo político concedido a Snowden

O ex-analista de inteligência havia conseguido permissão para ficar um ano no país. Ele não voltará aos EUA devido ao processo judicial movido pelo governo

Por Da Redação - 24 jan 2014, 13h16

Edward Snowden não será obrigado a deixar a Rússia após o término do asilo político de um ano que lhe foi concedido pelo governo do presidente Vladimir Putin em agosto do ano passado. Segundo a rede americana CNN, o chefe do Comitê de Assuntos Estrangeiros em Duma, a câmara baixa da Assembleia Federal do país, Alexy Pushkov, afirmou durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, que o governo russo pretende renovar a proteção ao ex-analista de inteligência da Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês) dos Estados Unidos. O comunicado emitido pelo político, no entanto, não especificou por quanto tempo o status de asilado do americano será ampliado.

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Snowden passou a manifestar o desejo de retornar aos Estados Unidos recentemente, mas diz que não pretende viajar enquanto não receber proteção contra as acusações de espionagem movidas pelo governo americano. Em uma conversa com internautas na quinta-feira, o ex-analista de inteligência afirmou que a volta ao seu país natal seria “a melhor solução para todas as partes”, mas que “infelizmente isso não será possível devido à ausência de uma proteção judicial”. A legislação americana considera Snowden um whistleblower por vazar documentos secretos do governo para a imprensa. Uma das condições para o seu retorno seria uma reforma nas leis que garantem proteção jurídica para todos os whistleblowers processados no país.

O governo dos Estados Unidos não comentou as últimas declarações de Pushkov, mas disse anteriormente que perdoar os crimes cometidos pelo ex-analista está fora de cogitação. Em um evento na Universidade da Virgína, o secretário de Justiça americano, Eric Holder, disse que “se Snowden deseja voltar aos Estados Unidos e mover uma apelação, nós entraríamos em contato com seus advogados”. O perdão presidencial que Barack Obama poderia conceder ao ex-analista, contudo, não é discutido pelo governo. “Clemência não é algo que nós estamos considerando no momento”, destacou Holder.

Ilegalidade – Na quinta-feira, o Conselho de Supervisão de Liberdades Civis e Privacidade (PCLOB, em inglês) decidiu por uma maioria de três votos contra dois que as práticas da NSA para espionar as ligações telefônicas de cidadãos americanos é ilegal e traz benefícios “mínimos” para o combate ao terrorismo. O PCLOB é uma agência independente do governo federal que tem a função de alertar o presidente americano sobre eventuais abusos contra os direitos civis. Para o órgão, a coleta dos metadados telefônicos deveria ser encerrada.

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