Rússia e Ucrânia retomam ataques após pausa para visita de enviados de Trump
Ofensiva contra Kiev deixou ao menos duas pessoas mortas e dez feridas
A Rússia voltou a atacar Kiev com mísseis e drones nesta terça-feira, 8, deixando ao menos duas pessoas mortas e dez feridas, segundo o prefeito Vitali Klitschko. A ofensiva ocorre após os enviados do presidente americano Donald Trump deixarem a capital ucraniana.
Destroços que caíram após o ataque provocaram incêndios em um prédio residencial de cinco andares e em um outro edifício menor. Os mísseis e drones russos também danificaram pelo menos 14 prédios altos, um dormitório, uma escola, uma clínica, armazéns e outros locais, segundo autoridades.
De acordo com a Força Aérea da Ucrânia, a Rússia lançou dezenas de mísseis e 166 drones contra o país durante a madrugada, concentrando os ataques principalmente na região de Kiev e em Odessa. Ainda segundo os militares, foram abatidos 142 drones, 31 dos 32 mísseis de cruzeiro disparados e dois mísseis balísticos.
Na Rússia, drones ucranianos danificaram infraestrutura civil e deixaram pessoas feridas na cidade de Saratov, a cerca de 730 quilômetros da capital Moscou, segundo o governador regional. A região russa abriga uma grande refinaria da estatal Rosneft, além de outras instalações industriais e militares.
Já na cidade russa de Starodub, uma pessoa morreu após outro ataque ucraniano, segundo o governador interino da região, Yegor Kovalchuk.
Enviados de Trump
Moscou retomou os ataques depois que os dois enviados de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, viajaram a Kiev no domingo 6 para negociar o fim da guerra entre Ucrânia e Rússia. A visita ocorreu após mais de três horas de conversas com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou, no dia anterior.
“No momento em que os enviados de paz do presidente dos EUA partiram, o presidente russo Vladimir Putin lançou outro ataque massivo e horrível contra Kiev”, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, em uma publicação no X (ex-Twitter).
O principal ponto das discussões de domingo foi como ajudar a Ucrânia a atravessar a estação que as forças da Rússia costumam usar como arma. As conversas também giraram em torno de um “pacote” para o inverno relacionado à defesa aérea e à infraestrutura energética. No longo prazo, Zelensky pede “garantias de segurança” e assistência para a reconstrução do país.
+ O saldo da reunião entre Zelensky e enviados dos EUA para encerrar guerra na Ucrânia
“Nunca se sabe com qualquer acordo. Nada está feito até que esteja realmente concluído”, admitiu Kushner durante uma coletiva de imprensa ao final do domingo. “Pode acontecer rapidamente ou lentamente, mas não vai acontecer se não houver essas reuniões e esses diálogos.”
Intensificação dos ataques
O ataque desta terça-feira também acontece em meio à intensificação dos bombardeios russos contra Kiev e outras cidades ucranianas nas últimas semanas, e à pressão da Ucrânia por mais sistemas de defesa aérea.
Kiev depende de mísseis do sistema de defesa aérea Patriot, fornecidos pelos Estados Unidos para interceptar parte dos mísseis russos. Washington, no entanto, reduziu seus estoques após o uso de grande quantidade de interceptadores durante o conflito com o Irã e tem demonstrado resistência em ampliar os envios.
Nos últimos meses, a Ucrânia também ampliou suas ofensivas com drones contra alvos em território russo. Na semana passada, Zelensky determinou que as Forças Armadas ucranianas ampliem para 1. 000 por dia os ataques de longo alcance com drones contra a Rússia, contra cerca de 300 atualmente.
“É preciso fazer mais: há uma meta concreta, e vamos cumprir essa tarefa”, disse Zelensky em pronunciamento.
Na semana passada, um drone russo atingiu a sede do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), no centro de Kiev, deixando nove pessoas feridas. De acordo comZelensky, o ataque tinha como alvo o escritório do chefe do serviço de segurança, Oleksandr Poklad.







