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Rússia e EUA se comprometem a colaborar com defesa antimíssil

Na semana passada, Medvedev havia dito que reiniciaria a Guerra Fria caso não obtivesse um acordo sobre o escudo antimísseis americano na Europa

Os líderes do encontro do G8 desta quinta-feira parecem estar tentando colocar panos quentes nas recentes tensões entre americanos e russos. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seu colega russo, Dmitri Medvedev, se comprometeram a colaborar e resolver suas diferenças sobre defesa antimíssil na Europa, apesar de não conseguirem progressos aparentes.

Na semana passada, Medvedev havia dito que abandonaria o Tratado de Limitação de Armas Estratégicas (Start), caso a Rússia e a Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan) não conseguissem chegar a um acordo sobre o escudo antimísseis americano. Medvedev disse ainda que, neste caso, o Kremlin adotaria medidas de resposta, levando a um cenário semelhante ao da Guerra Fria.

Nesta quinta-feira, os dois líderes se reuniram por uma hora e meia em Deauville (França), em paralelo à cúpula do G8. “Estamos comprometidos em colaborar para chegar a um acordo e uma configuração consistente com as necessidades de segurança de ambos países que mantenha um equilíbrio estratégico e enfrente as ameaças potenciais que compartilhamos”, disse o presidente dos EUA ao término do encontro. Por sua vez, o dirigente russo assinalou que a disputa provavelmente não será resolvida totalmente até 2020, quando se aplicará a última fase do projeto americano, mas ele e Obama podem colaborar e “adiantar as bases para que outros políticos consigam solucioná-la”.

O escudo – Após sua chegada ao poder em 2009, Obama cancelou o projeto de escudo antimíssil para o Leste da Europa que seu antecessor, George W. Bush, planejava instalar na Polônia e na República Tcheca. Mas anunciou na ocasião um sistema modificado que empregaria plataformas de lançamento móveis. A Rússia, que tinha condenado com veemência o projeto original, continua vendo com preocupação o novo sistema, ao considerar que pode afetar seus mísseis.

Os EUA insistem que a proteção estaria destinada a possíveis ameaças provenientes do Irã e outros estados hostis e em nenhum caso à Rússia. Em declarações após a reunião, o diretor para a Rússia do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Michael McFaul, disse: “Sugerimos a Moscou que colabore conosco, se integrem em nosso sistema. Essa seria sua melhor apólice de seguros. De outra forma continuarão com suas dúvidas”.

Ambos líderes abordaram também questões como o interesse russo em integrar a Organização Mundial do Comércio (OMC), tema no qual, segundo Obama, ambos países cooperam “intensamente”. Desde a chegada de Obama ao poder, EUA e Rússia tentaram superar os atritos nas relações bilaterais que surgiram durante o mandato de George W. Bush. A Casa Branca sempre destacou essa aproximação como um de seus sucessos em política externa.

Outros temas – O encontro entre Obama e Medvedev ocorreu antes do início da cúpula do G8, que agrega os países mais ricos do mundo. Entre outros pontos, o grupo deve examinar em uma sessão especial na sexta-feira como ajudar melhor política e economicamente os processos de transição democrática no Oriente Médio e no norte da África.

Obama propôs um plano de assistência ao Egito e Tunísia, que inclui 2 bilhões de dólares em ajuda ao primeiro em forma de garantias ao crédito e perdão de dívida e também procura a participação mundial para o desenvolvimento do setor privado e a integração destas economias nos sistemas internacionais. Segundo o presidente francês Nicolas Sarkozy, a questão do “reforço das sanções” contra os dirigentes sírios será também discutida na noite desta quinta-feira.

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(Com agências EFE e France-Presse)