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Rússia afirma que retórica de Biden é ‘muito agressiva’

Presidente dos EUA disse que não vai mais se submeter aos 'atos agressivos da Rússia'; Kremlin também responsabiliza UE por tensão a respeito de Navalny

Por Da Redação Atualizado em 5 fev 2021, 11h15 - Publicado em 5 fev 2021, 11h06

A Rússia declarou nesta sexta-feira, 5, que a retórica do presidente americano, Joe Biden, é “muito agressiva”, porque ele já prometeu que a relação entre Washington e Moscou vai mudar, além de exigir a libertação do opositor Alexei Navalny.

“Esta é uma retórica muito agressiva e pouco construtiva”, afirmou Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin. Apesar disso, ele completou que espera manter “uma base para a cooperação, apesar da enorme quantidade de controvérsias e de diferenças em temas-chave”.

Na quinta-feira 4, durante pronunciamento no Departamento de Estado, Biden disse que “a época em que os Estados Unidos se submetiam aos atos agressivos de Rússia (…) acabou”. O democrata não anunciou medidas concretas contra Moscou, mas fez várias advertências e citou o caso do envenenamento e detenção de Navalny.

Já no primeiro telefonema oficial com o presidente russo, Vladimir Putin, Biden abordou temas como a interferência de hackers ligados ao Kremlin nas eleições americanas e o tratamento de manifestantes a favor de Navalny pela polícia. O novo presidente adota um tom mais firme a respeito da Rússia que o utilizado por seu antecessor, o republicano Donald Trump.

Moscou condenou o opositor a dois anos e oito meses de prisão por suposta violação de sua liberdade condicional, relativa a uma condenação por “fraude” que recebeu em 2014.

O maior crítico a Putin deixou de comparecer ao tribunal durante o período que passou na Alemanha, recuperando-se de uma tentativa de assassinato por envenenamento, que ele atribui ao Kremlin. Além disso Navalny insiste que a condenação de quase sete anos atrás é ilegítima e motivada por divergências políticas.

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Desde que foi detido em janeiro, manifestantes tomaram a Rússia em seu apoio, pedindo por liberdade de expressão. Estima-se que pelo menos 10.000 pessoas tenham sido presas nas últimas três semanas por causa dos protestos.

A situação não é motivo de escrutínio apenas dos Estados Unidos. Nesta semana, o chefe da diplomacia europeia, Josep Borell, viajou à Rússia para reunir-se com o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, para abordar o tema Navalny e a cooperação entre o bloco e o país.

Em agosto passado, a União Europeia denunciou o envenenamento do opositor. Diante da recusa de investigação por parte de Moscou, que nega ter tentado matar o oponente e fala em um complô internacional, os europeus adotaram sanções contra várias autoridades russas de alto escalão, o que o Kremlin classificou como “interferência”.

Apesar das diferenças, e do momento em que sua relação está no nível “mais baixo”, segundo Borrell, Rússia e União Europeia prometeram nesta sexta buscar vias de cooperação. Afinal, a visita do chefe da diplomacia europeia acabou com o congelamento da relação com os russos desde 2017.

Também nesta sexta, Navalny está sendo julgado por difamação, o que que pode resultar em uma nova pena prisão. Sem citar o nome do opositor, o chanceler russo, Sergei Lavrov, expressou a disposição de abordar “qualquer tema”. Porém, como aos Estados Unidos, responsabilizou os europeus pela tensão, “uma situação nociva que não beneficia ninguém”.

(Com AFP)

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