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Rússia adota represálias econômicas contra Turquia

Por Da Redação 26 nov 2015, 20h19

A Rússia anunciou nesta quinta-feira que prepara medidas de represália econômica contra Ancara depois que a Turquia abateu um caça russo na fronteira síria, na última terça-feira. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, colocou em dúvida o compromisso turco de combater o grupo Estado Islâmico (EI).

Após o incidente, o mais grave para Moscou desde o início da sua intervenção militar na Síria, em 30 de setembro, os líderes dos dois países prometeram evitar uma escalada militar na região, mas nesta quinta-feira o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, elevou o tom ao se negar a pedir as desculpas exigidas por Putin.

“Os que violaram o nosso espaço aéreo é que precisam pedir desculpas”, declarou Erdogan, chamando os russos de “caluniadores” e acusando o líder russo de não responder a seus telefonemas. “Após este acontecimento telefonei para Putin, mas até agora ele não me respondeu. Poderíamos ter resolvido esta violação do espaço aéreo de outra maneira”, disse Erdogan.

Já Putin disse “ter a impressão de que os dirigentes turcos conduzem conscientemente as relações entre Rússia e Turquia para um beco sem saída”.

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O Exército russo anunciou nesta quinta-feira ter “destruído” os grupos rebeldes que se encontravam na zona onde caiu o caça Su-24, e acrescentou que instalará sistemas de defesa antiaérea S-400 na base militar de Hmeimim, no noroeste da Síria.

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As autoridades russas já haviam decidido responder economicamente à morte de dois militares russos – um dos dois pilotos do caça abatido e um soldado das tropas de elite que participava da operação de resgate do segundo piloto.

A tensão entre a Rússia e a Turquia ocorre no momento em que o presidente francês, François Hollande, tenta estabelecer uma coalizão anti-jihadista após os ataques de Paris, que deixaram 130 mortos em 13 de novembro.

Antes de receber no Kremlin o presidente francês, Putin atacou Ancara, que “não apresentou qualquer pedido de desculpas, nem uma proposta para compensar o mal e os estragos causados, nem promessas de punir os responsáveis”. O ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu, respondeu com firmeza ao excluir qualquer pedido de desculpas à Rússia.

Retaliação econômica – Seguindo as ordens de Vladimir Putin, o primeiro-ministro Dmitry Medvedev reuniu seu governo, a fim de preparar dentro de dois dias uma série de medidas de retaliação após o “ato de agressão” da Turquia. Sem entrar em detalhes, ele sugeriu que projetos conjuntos podem ser suspensos, leis aduaneiras endurecidas e ligações aéreas sujeitas a restrições. O uso da mão de obra turca na Rússia também poderia ser afetada.

Estas medidas poderiam pôr em perigo a construção em curso da primeira usina nuclear turca em Akkuyu (sul) e enterrar o projeto de gasoduto TurkStream, que Moscou queria fazer de porta de entrada para o gás russo no sul da Europa.

O ministro russo da Agricultura, Alexander Tkachev, anunciou por sua vez um reforço dos controles sobre os produtos agrícolas e gêneros alimentícios importados da Turquia. Por meio de um comunicado, Tkatshev denuncia “as repetidas violações das normas russas por parte dos produtores turcos”, que poderiam afetar 15% dos produtos agrícolas importados de Turquia. Ele citou a presença de “substâncias proibidas e prejudiciais”, assim como doses excessivas de pesticidas ou nitratos.

Mas há vários anos, a Rússia é acusada de tomar decisões de ordem sanitária com base em suas posições geopolíticas. Desde o ano passado, Moscou impõe um embargo sobre a maior parte dos produtos alimentares dos países ocidentais que adotaram sanções contra o país em função do conflito na Ucrânia.

As importações turcas para a Rússia ultrapassaram três bilhões de dólares nos três primeiros trimestres deste ano. De acordo com a imprensa russa, as alfândegas russas já inspecionam escrupulosamente todas as mercadorias que chegam da Turquia, causando atrasos e bloqueios.

Poucas horas depois do caça ser abatido, Moscou recomendou aos russos que não viajem à Turquia, potencialmente privando o país de mais de três milhões de turistas por ano.

(Com AFP)

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