Rússia acusa CEO do Telegram de ‘cumplicidade com terrorismo’ e emite ordem de busca internacional
Moscou alega que aplicativo de mensagens é utilizado pelos Serviços de Segurança da Ucrânia para recrutamento
O Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia anunciou nesta quarta-feira, 29, que acusou o fundador e CEO do Telegram, Pavel Durov, de “cumplicidade com terrorismo” e emitiu uma ordem de busca internacional contra o empresário. Moscou alega que o aplicativo de mensagens é utilizado pelos Serviços de Segurança da Ucrânia para recrutamento.
Segundo o FSB, as acusações contra Durov estão relacionadas à suposta falha do Telegram em remover conteúdos “utilizados por serviços especiais ucranianos e por organizações terroristas e extremistas para preparar e coordenar atos de sabotagem e terrorismo, massacres e operações de fraude cibernética dentro da Federação Russa”.
Em comunicados, o FSB e o Comitê de Investigação da Rússia afirmaram que o chat Daivinchik/Leo, disponível no Telegram, foi utilizado pelos serviços secretos ucranianos para recrutar jovens russos para ações de sabotagem e operações terroristas. Segundo as autoridades, agentes ucranianos que se faziam passar por jovens mulheres utilizavam o serviço para entrar em contato e atrair cidadãos russos, coagindo-os posteriormente a cometer crimes.
Após a acusação, a conta oficial do Telegram na rede X, antigo Twitter, publicou uma imagem de Durov fazendo um gesto obsceno com o dedo do meio.
O empresário não comentou diretamente as novas acusações, mas descreveu anteriormente o processo movido contra ele como um “pretexto fabricado para restringir o acesso dos russos ao Telegram”, numa tentativa de limitar o direito à privacidade e à liberdade de expressão.
Nascido na Rússia e titular de passaportes da França e dos Emirados Árabes Unidos, Durov, de 41 anos, é investigado também por autoridades francesas, sob acusações de que o Telegram não combateu adequadamente atividades criminosas na plataforma e não cooperou de forma suficiente com pedidos das forças de segurança. O empresário nega as irregularidades.
Durov chegou a ser preso na França em agosto de 2024, porém ele foi solto poucos dias depois. Seu paradeiro atual é desconhecido.
Restrições ao Telegram
A Rússia bloqueou o acesso ao Telegram no país pela primeira vez em 2018, depois que os responsáveis pelo aplicativo se recusaram a cumprir uma ordem judicial que determinava a concessão aos serviços de segurança do Estado de acesso às mensagens encriptadas dos utilizadores.
Atualmente, os russos só conseguem aceder ao Telegram através da utilização de uma VPN para ocultar a localização verdadeira do utilizador. Ainda assim, órgãos estatais, incluindo o Kremlin e o Ministério da Defesa, continuam a publicar com frequência na plataforma.
As restrições russas também afetam o WhatsApp e outros aplicativos acusados de serem utilizados pelos serviços ucranianos contra a segurança do país.






