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Rússia acusa americano de espionagem e pede sentença de 18 anos na prisão

Defesa sustenta não haver provas suficientes para condenar o ex-fuzileiro naval Paul Whelan; pandemia da Covid-19 pode ter prejudicado o acusado

Por Da Redação 25 Maio 2020, 15h10

Promotores destacados para o julgamento de um caso de espionagem na Rússia pediram nesta segunda-feira, 25, que o ex-fuzileiro naval americano Paul Whelan seja condenado a 18 anos de prisão. O americano foi preso em dezembro de 2018, acusado de receber segredos de Estado, e seu veredito está previsto para dia 15 de junho.

O advogado de defesa Paul Whelan, Vladimir Zherebenkov, disse que estava “chocado” com a sugestão dessa pena “muito dura”. O promotor sustenta a teoria de que Whelan era um oficial – “pelo menos, um coronel” – da agência de inteligência de defesa americana, reporta a emissora de televisão Al Jazeera. Mas, segundo  Zherebenkov, seu cliente “não fazia espionagem e não estava coletando informações secretas”.

Os Estados Unidos condenaram a acusação contra Whelan, dizendo que não havia provas suficientes nem mesmo para detê-lo. Whelan disse que visitou a Rússia como convidado de um casamento e foi enganado: pegou um pen-drive de um conhecido, achando que continha fotos de férias, mas havia nele dados sigilosos. No momento de sua prisão, o acusado era chefe de segurança global de um fornecedor de autopeças em seu país de origem.

No ano passado, o americano pediu que o promotor e o juiz fossem removidos do caso, alegando que as provas que ele forneceu foram ignoradas e que o tribunal foi tendencioso a favor da acusação. “Em um sistema justo, o tribunal absolveria Paul com base na falta de evidências”, disse David Whelan, irmão do acusado. “Mas a realidade é de uma condenação injusta e só podemos esperar que a sentença seja mais leve”.

Em sessões anteriores do tribunal, o acusado fez um apelo a jornalistas e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alegando que estava sendo maltratado. Segundo ele, não tinha acesso suficiente a seu advogado nem às traduções completas de documentos apresentados.

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O julgamento, iniciado em março deste ano, continuou a portas fechadas em um tribunal de Moscou, apesar da pandemia de coronavírus e de protestos diplomáticos. As autoridades impediram jornalistas e funcionários da embaixada americana de comparecerem às audiências devido ao risco de contágio da Covid-19, doença respiratória causada pelo vírus.

Segundo o advogado de defesa, três de suas testemunhas não compareceram à audiência na semana passada por medo do coronavírus.

  • O embaixador dos Estados Unidos na Rússia, John Sullivan, criticou o tratamento das autoridades russas a Whelan, que estaria sendo impedido de receber cuidados médicos e proibido de falar com a família.

    Advogados de defesa e acusação apresentaram seus argumentos finais nesta segunda-feira. O processo, porém, estreitou os laços entre MoscouWashington, alimentando especulações de uma troca de prisioneiros que possivelmente envolveria o piloto russo Konstantin Yaroshenko, preso nos Estados Unidos por acusações de tráfico de drogas.

    A sentença do americano, que também possui passaportes britânico, canadense e irlandês, está prevista para ser declarada em 15 de junho.

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