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Rússia: 550 opositores de Putin são detidos em protestos

Levantamento é da oposição. Polícia, no entanto, afirma que 250 manifestantes foram levados a delegacias de Moscou e São Petersburgo

Pelo menos 550 manifestantes e líderes da oposição foram detidos esta segunda-feira em Moscou e em São Petersburgo em protestos contra a vitória na véspera de Vladimir Putin, em eleições presidenciais classificadas como “farsa” pela oposição.

O conhecido blogueiro Alexei Navalny, o chefe da Frente de Esquerda Serguei Udaltsov, a militante ecologista Evguenia Tshrikova e o dirigente do movimento Solidariedade Ilia Iachin foram detidos pela polícia ao fim de uma manifestação autorizada na praça Pushkin, em Moscou. Esses e outros 2.000 opositores tinham se recusado a se dispersar, ao fim do protesto que reuniu cerca de 20.000 pessoas, segundo a oposição, e 14.000 segundo as autoridades.

A polícia moscovita assume que interveio, mas reduz o número de presos a menos da metade. “No total, em toda a cidade, 250 pessoas foram detidas, entre elas Ilia Iachin, Alexei Navalny e Sergeui Udaltsov. Essas pessoas foram levadas à delegacia”, informou em um comunicado. Udaltsov tinha dito que sairia da praça quando Vladimir Putin deixasse o poder. “Não irei embora enquanto Putin estiver aqui. Aos que ficarem comigo, obrigado!”, acrescentou.

Durante o protesto, Navalny provocou a multidão. “Quem é o poder? Nós somos o poder! Vamos tomar as ruas e praças de Moscou, não sairemos!”, afirmou. Navalny e Udaltsov já passaram quinze dias na prisão, após terem sido detidos em condições similares, em 5 de dezembro, no dia seguinte às eleições legislativas.

A Comissão Eleitoral divulgou, nesta segunda-feira, os resultados definitivos das eleições presidenciais de domingo. Putin, que já foi presidente entre 2000 e 2008, obteve 63,60% dos votos, seguido do comunista Guennadi Ziuganov com 17,18%, e do milionário Mikhail Projorov, recém-chegado à política com o consentimento do Kremlin, com 7,98%.

Fraude – A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (Osce) denunciou nesta segunda-feira, em Moscou, várias irregularidades, particularmente a contagem dos votos “em cerca de um terço dos colégios eleitorais” e tachou de “claramente tendenciosas” as condições da campanha favorável a um candidato.

No domingo, observadores e oposição asseguraram que tinham constatado numerosas fraudes. As autoridades russas não responderam ao veredito da Osce, mas Tatiana Voronova, da comissão eleitoral, citada pela Interfax, denunciou uma visão “politizada” e “inadequada” da situação na Rússia.

O portal control2012.ru, criado para contar os votos, registrou nesta segunda-feira cerca de 6.000 casos de violação da legislação eleitoral, em particular casos de “transporte maciço de eleitores”, uma técnica que permite a um grupo votar várias vezes em diferentes seções com autorizações fraudulentas.

A ONG russa Golos afirmou, nesta segunda-feira, que segundo suas próprias estimativas, Putin obteve 50,26% dos votos no primeiro turno, e não 64%. A situação garantiu a realização de eleições democráticas, depois da onda de protestos sem precedentes a partir das denúncias de fraude por parte da oposição e dos observadores independentes nas legislativas de dezembro passado.

(Com agência France-Presse)