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RSF denuncia recente onda de violência contra jornalistas no Egito

Cairo, 8 mai (EFE).- Mais de 30 jornalistas foram detidos ou agredidos durante os distúrbios da última sexta-feira em Suez (este) e no Cairo, informou nesta terça a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) em comunicado.

A RSF detalha que durante os confrontos entre manifestantes e militares, que ocorreu no dia 4 de maio, aproximadamente 20 jornalistas foram agredidos, dos quais 11 ficaram feridos, 19 foram presos e um foi ‘sequestrado’, entre outros abusos.

Os jornalistas estavam cobrindo os choques entre soldados e manifestantes nas imediações do Ministério da Defesa, situado no bairro de Abassiya, no Cairo.

O fotógrafo Mahmoud Motaue, do jornal online ‘Al Balad’ – por exemplo -, ficou ferido nas costas por disparos de bala de chumbo. Além disso, cinco integrantes da equipe do canal ‘Misr 25’ foram detidos enquanto faziam uma transmissão ao vivo da mesquita de Al Nour, em Abassiya.

Segundo um dos detidos, a Polícia militar os maltratou e os submeteram a diversas humilhações, além de ter confiscado seus equipamentos.

Os cinco foram acusados de tentar alterar a ordem pública, de usar a força contra agentes de segurança e de se reunir ilegalmente, entre outras acusações.

O caso da fotógrafa belga Virginie Nguyen, do jornal ‘Egypt Independent’, também foi citado pela RSF. Segundo a organização, Virginie sofreu uma fratura na mandíbula na parte superior do lábio ao ser atingida por uma pedra.

A fotógrafa procurou um hospital para receber atendimento, mas acabou sendo detida pela polícia local, que, por sua vez, a levou a vários centros médicos militares até chegar em um edifício do Exército. Eventualmente, a fotógrafa foi liberada e teve seu equipamento devolvido, mas com todas suas fotos apagadas.

Outros dois jornalistas, Ahmed Ramadan e Islam Abul Ezz, do jornal online ‘El Badil’, foram assaltados por um grupo de ‘baltaguiya’ (agitadores violentos) e detidos pela polícia.

Ambos os jornalistas foram presos na prisão de Tora, que abriga perigosos delinquentes e algumas autoridades do antigo regime do presidente egípcio Hosni Mubarak, que também está preso neste presídio.

Apesar de a justiça militar ter ordenado a prisão dos jornalistas durante duas semanas, os mesmos acabaram sendo soltos no último domingo. A RSF ainda ressalta que ambos os profissionais foram duramente espancados enquanto estavam presos.

Além de denunciar os casos, a ONG condena radicalmente este tratamento ‘brutal’ e pede que os responsáveis sejam levados à Justiça. EFE