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Romney fortalecido, mas uma vitória esmagadora é improvável

Mitt Romney ainda é o favorito para vencer a indicação presidencial republicana dos Estados Unidos, mas uma vitória rápida sobre seus rivais mais conservadores parece estar fora de alcance depois de quase um empate em Iowa, afirmam os especialistas nesta quarta-feira.

“Iowa é um lembrete de que se Romney ganhar, será porque ele será o último homem competindo – não porque ele tem um forte apoio republicano”, explicou Matt Dickinson, um cientista político do Middlebury College de Vermont.

O antigo governador de Massachusetts e milionário investidor de capital de risco derrotou o conservador cristão Rick Santorum por uma pequena vantagem de apenas oito votos, de acordo com os resultados anunciados por um partido oficial no começo desta quarta-feira.

Romney, que passou pouco tempo neste estado interiorano predominantemente rural até o fim de dezembro, praticamente descartando-o, declarou que tanto ele como o ex-senador tiveram uma “grande vitória” e prometeu derrotar Obama nas eleições de novembro.

As pesquisas em New Hampshire, que será o segundo estado a votar, dia 11 de janeiro, mostram Romney no caminho para conseguir facilmente uma vitória por lá.

Mas os resultados de Iowa, com 25% cada, destacaram um antigo problema para Romney, que é desafiado sucessivamente pela direita e, ao mesmo tempo, não consegue aumentar seu apoio entre os republicanos acima dos 30%.

“Isso é realmente o telhado de vidro de Romney. Ele gastou dinheiro e tempo cortejando conservadores, mas ele parece não ter conseguido mudar nada”, disse Bob Oldendick, um cientista político da Universidade da Carolina do Sul.

“Se você me perguntar quem, depois desta noite, é a pessoa mais provável pra vencer a indicação, eu ainda vou ter que dizer que é Romney – ele planejou uma batalha de longo prazo e tem a melhor organização”, acrescentou.

Romney fez pouco segredo que ele esperava um resultado forte em Iowa, New Hampshire e outro sucesso na Carolina do Sul, que pode dar a ele uma vitória certa pela nomeação, meses antes das eleições gerais.

Mas Oldendick, cujo estado vota dia 21 de janeiro, disse que Iowa “realmente deve dar a eles (os assessores de Romney) algum tempo, que esta não será uma vitória rápida, mas uma longa batalha”.

Romney retratou a si mesmo como o melhor candidato para derrotar Obama em uma eleição que provavelmente será decidida por eleitores de centro, mas ele ainda desperta as dúvidas dos republicanos sobre suas credenciais conservadoras.

“Ele ainda não conquistou os corações dos radicais. Ele pode ter conquistado suas mentes, com a elegibilidade, mas não conquistou seus corações”, afirmou David Woodward, um cientista político da Clemson University na Carolina no Sul.

“Santorum penetrou nos corações e mentes. Ele disse: sim, a economia é um grande problema, mas a cultura é um problema maior. Eu acredito que isso funciona bem aqui”, disse Woodard.

Isso não significa dizer que é uma corrida de dois candidatos: o ex-presidente da Câmara se dirige à New Hampshire e à Carolina do Sul ansioso para dar o troco aos ataques de aliados de Romney que o condenaram ao quarto lugar em Iowa.

O deputado Ron Paul, um campeão do pequeno governo também conhecido por sua oposição feroz à ajuda externa e à intervenção militar, ficou em terceiro e seus seguidores devotos podem ajudá-lo a ser o estraga-prazer em outros lugares.

Romney se beneficia de ver mais republicanos – como os alinhados ao ultra-conservador Tea Party – divididos entre muitos adversários, mas se eles “decidirem por uma alternativa anti-Romney, ele ficará em apuros”, explicou Dickinson.

“Gingrich e Paul vão perseguir Romney. Isso será potencialmente danoso”, disse Linda Fowler, uma especialista política na Dartmouth College.

“Romney ainda parece forte nas pesquisas em New Hampshire, mas está claro, a partir de Iowa, que ele ainda não foi ‘comprado’ pelos eleitores das primárias. A mensagem de Iowa é que ele ainda tem que trabalhar para isso”, concluiu.