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Romney e Gingrich endurecem ataques em debate amargo na Flórida

Mitt Romney chamou seu rival Newt Gingrich de “mercador de influências” como congressista em Washington e afirmou que este não está apto para presidir o país, em um áspero debate na Flórida, a uma semana de uma primária crucial para esses pré-candidatos republicanos.

Neste estado onde mais de 1 milhão e 470 mil latinos estão registrados para votar e representam 13% do eleitorado, segundo o Pew Hispanic Center, os quatro aspirantes à indicação republicana para as eleições presidenciais de 6 de novembro abordaram o tema das relações com Cuba, a reforma migratória para jovens e o espanhol como segunda língua.

Sobre Cuba, o ex-governador de Massachussets Mitt Romney, o ex-presidente da Câmara dos Representantes Newt Gingrich, o ex-senador Rick Santorum e o libertário Ron Paul disseram que querem uma Cuba livre do regime castrista, mas não explicaram como buscarão esse objetivo caso cheguem à Presidência.

Em relação à reforma migratória, conhecida como Dream Act, que abre caminho para a legalização de jovens sem documentação, Gingrich e Romney afirmaram que a apoiarão se estes se alistarem no Exército dos Estados Unidos.

“Eu trabalharia para obter uma versão aceitável que incluísse o componente militar”, disse Gingrich, seguido por Romney, em um dos poucos momentos de acordo do amargo debate realizado na Universidade do Sul da Flórida, em Tampa.

Romney, considerado até a semana passada o favorito à indicação republicana, abriu o debate com fortes ataques pessoais contra Gingrich, candidato conservador que lidera as últimas pesquisas de opinião após a sua vitória no sábado na primária da Carolina do Sul (sudeste).

“Acho que isto vai se limitar a uma questão de liderança”, disse Romney ao acusar Gingrich de ter feito lobby e cobrado apoio financeiro por seu trabalho legislativo em Washington, principalmente para a Freddie Mac, uma empresa financiada pelo governo criada para fornecer créditos hipotecários com melhores condições para pessoas com poucos recursos e que em 2008 quebrou, causando o estouro da bolha imobiliária.

“Há um ponto neste processo quando se torna desnecessariamente pessoal e sujo, e isso é triste … Acho que fica muito claro se eu disser que nunca fiz nenhum tipo de lobby”, defendeu-se Gingrich.

“Durante os 15 anos depois de ter deixado o posto de presidente da Câmara dos Representantes, (Gingrich) trabalhou como mercador de influências em Washington”, disse Romney.

Às vésperas da primária que será realizada em 31 de janeiro na Flórida, novas pesquisas mostraram na segunda-feira o avanço vertiginoso de Gingrich, que se aproxima e até supera Romney em diferentes pesquisas.

Gingrich tentou superar os ataques de seu principal rival alegando que Romney havia dito “pelo menos quatro coisas que são falsas.”

“O governador Romney não pode dizer a verdade”, disse Gingrich, repetindo as críticas dos democratas a respeito da inconsistência de seu oponente em temas-chave.

Romney, um empresário multimilionário, teve problemas para conquistar os republicanos conservadores que permanecem cautelosos por sua fé mórmon e por sua mudança de posições em questões cruciais, como o aborto e o casamento homossexual.

Já Gingrich tentou deixar de lado as acusações sobre sua liderança errática e caótica no Congresso, quando foi alvo de uma investigação ética, e procurou se esquivar de todas as dúvidas relacionadas aos seus casos extraconjugais que o levaram a se casar três vezes.

Por enquanto, parece que o eleitorado cristão não deu muita importância aos três casamentos de Gingrich, a julgar por sua vitória confortável na Carolina do Sul, que colocou lenha na fogueira da disputa pela indicação republicana para enfrentar nas eleições de 6 de novembro ao presidente democrata Barack Obama.

Neste estado de pouco mais de 19 milhões de habitantes, estão registrados mais de 4 milhões de republicanos para votar nas primárias deste ano, indicou um porta-voz do partido.

No momento, o ultraconservador Santorum, o moderado Romney e o conservador Gingrich são os três pré-candidatos que mantêm chances na disputa depois de uma vitória para cada um nas primárias: Iowa para o primeiro, New Hampshire para o segundo e Carolina do Sul para o terceiro.

Ron Paul, um homem contrário ao controle do Estado federal, está em último nas pesquisas.