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Rival acusa Chávez de crimes contra humanidade no TPI

Entre as acusações, estão assassinatos e deslocamentos forçados

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi denunciado nesta segunda-feira no Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes contra a humanidade por um dos seis aspirantes a candidato nas eleições presidenciais do próximo ano no país. O ex-embaixador da Venezuela na Organização das Nações Unidas (ONU), Diego Arria, disse à rede de televisão Globovisión que apresentou a acusação ao promotor principal do TPI, Luis Moreno Ocampo, na sede da organização em Haia, e que depois deve entregá-la à Sala de Julgamentos Preliminares, “onde será decidido se ela é pertinente ou não”.

“Há uma lista de ações realmente terríveis, das brutalidades cometidas contra milhares de venezuelanos, que vão de assassinatos a deslocamentos forçados e eliminação da propriedade, como parte de uma política sistemática generalizada de estado de violar os direitos humanos e realmente cometer crimes contra a humanidade”, ressaltou. Arria explicou por telefone à Globovisión que esteve preparando a denúncia “por mais de um ano e meio”.

Questionado sobre as identidades das “milhares” de vítimas que disse representar, Arria respondeu que os nomes não podem ser revelados até que o promotor decida avançar no processo, e também se recusou a revelá-los “por temer retaliações do governo venezuelano”.

Debate – Em um debate transmitido pela TV entre os seis pré-candidatos da MUD em 14 de novembro, Arria, que tem uma das mais baixas intenções de voto segundo as pesquisas, disse que “o final de todos os que abusam de seus povos é a cidade chamada Haia”, sede do TPI. O pré-candidato lembrou nesta segunda que, como representante da Venezuela na ONU durante governos anteriores ao de Chávez, participou da investigação de crimes contra a humanidade cometidos em Bósnia, Iugoslávia, Somália e Ruanda. “A comunidade internacional demorou a agir, e o número de mortos foi enorme justamente por não ter se tomado uma atitude a tempo”, destacou.

Arria acrescentou que a denúncia não é contra a instituição da Presidência, nem contra o chefe de estado, mas “individual e pessoal” contra Chávez, e pediu à comunidade internacional que detenha as ações criminosas. Entre elas estão os assassinatos de 155.000 pessoar em ações de uma quadrilha que atuava nos primeiros dez anos de sua gestão, o que foi reconhecido pelo próprio governante em janeiro. O político não aparece nas pesquisas entre os favoritos para ganhar a representação da aliança Mesa da Unidade Democrática (MUD), da oposição, que em 12 de fevereiro do próximo ano realizará eleições primárias para definir quem concorrerá com Chávez nas eleições de 7 de outubro para o período 2013-2019.

Câncer – Porém, ainda não se sabe se o próprio Chávez irá concorrer, visto que o seu câncer encontra-se em um estado avançado. O caudilho tentou mascarar o avanço da doença e chegou a afirmar que não havia mais céulas cancerígenas em seu corpo. Mas, segundo relatos obtidos por VEJA, o câncer chegou aos ossos do venezuelano, e ele talvez não sobreviva mais do que um ano.

(Com agência EFE)