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Rick Santorum, a reserva republicana de valores cristãos

Por Ben Garvin 8 fev 2012, 09h15

Rick Santorum, o grande vencedor das três primárias organizadas na terça-feira nos Estados Unidos na corrida pela indicação republicana à Casa Branca, reproduz a carta dos valores cristãos e se vê como a força motriz dos conservadores.

Após vencer, para surpresa geral, a primeira consulta em Iowa (centro), no início de janeiro, Santorum deu um grande golpe ao se impor nas três primárias organizadas no Colorado (oeste), Minnesota (norte) e Missouri (centro).

Estes sucessos que chegam depois de vários revezes relançam a corrida republicana, embora Santorum esteja longe de contar com os meios e com a organização do favorito Mitt Romney.

Conhecido pela intransigência durante sua passagem pelo Congresso, Santorum garante ser uma solução real de mudança conservadora diante do moderado Romney. Apresenta-se como um bombardeiro político, pronto para empregar a artilharia pesada caso seja necessário.

Aos 53 anos, este homem de cabelos e olhos castanhos e aspecto esportivo é considerado ultraliberal em matéria econômica.

“Defende a recuperação da grandeza dos Estados Unidos através da promoção da religião, da família e da liberdade”, resume o seu site de campanha, que o apresenta como “um conservador coerente em todos os fronts, tanto em palavras quanto em ações”.

Em entrevistas à televisão, reiterou nos últimos dias seu desacordo aberto ao matrimônio homossexual e ao aborto, inclusive em casos de estupro, embora seja favorável ao uso de anticoncepcionais.

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“Acho que isto leva a doenças transmitidas sexualmente e a gravidez não desejada, pelo que não é nada saudável manter relações sexuais fora do matrimônio”, reiterou Santorum em recentes declarações.

Pai de sete filhos, este católico devoto, casado há 21 anos e nascido no dia 10 de maio de 1958 em Winchester, Virgínia (leste), Santorum é filho de um imigrante italiano e de uma mãe de origem ítalo-irlandesa.

Após estudar direito, exerceu a advocacia em Pittsburgh, a grande cidade industrial da Pensilvânia, até ir para a política em Washington.

Bom jogador de tênis, Santorum foi eleito pela primeira vez à Câmara de Representantes em 1990, com 32 anos, uma conquista republicana na Pensilvânia, um estado tradicionalmente democrata.

Entrou para o Senado em 1995, tendo sido derrotado em 2006. No Congresso, destacou-se pela luta contra o direito ao aborto.

Sobre o tema Irã, Santorum acredita que o presidente Barack Obama mostra-se como um “ingênuo” diante das ambições nucleares de Teerã. Classifica este país do Oriente Médio como “uma teocracia radical que jurou destruir Israel e a civilização ocidental”.

Numa longa biografia sua publicada em 2005, a revista do New York Times afirmou que Santorum assistia todos os domingos à missa em latim nos subúrbios de Washington.

Com lágrimas nos olhos, o próprio Santorum contou como precisou resolver com sua esposa em 1996 a indução de um parto de um menino de 20 semanas que não era viável. Negando-se a enviar o cadáver do feto ao necrotério, o casal passou a noite no hospital junto ao seu pequeno filho morto, que apresentou mais tarde aos seus outros filhos.

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