Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Ri Sol-ju, um rosto moderno para a opaca Coreia do Norte

Mulher de Kim Jong-un reflete mudanças no regime mais fechado do mundo

A mulher do líder norte-coreano Kim Jong-un, Ri Sol-ju, presença habitual na imprensa desde sua recente e incomum apresentação ao mundo, trouxe consigo detalhes que refletem mudanças estéticas na Coreia do Norte, a ditadura mais hermética do mundo. Desde que seu nome se tornou público no último dia 25 de julho, a figura elegante da ‘camarada Ri Sol-ju‘ acompanha o jovem líder, que, aparentemente, tenta dar novos ares à imagem de um regime ancorado aos tempos da Guerra Fria e asfixiado economicamente por sua cega confiança no comunismo mais ortodoxo.

Leia também: Norte-coreanos têm mais acesso à mídia internacional

“Kim Jong-un precisa de uma primeira-dama para estabelecer seu novo modelo de liderança e introduzir mudanças mais profundas nas bases do sistema”, diz Song Young-hoon, do Instituto de Estudos para a Paz e a Reunificação da Universidade de Seul. O especialista acredita que Kim Jong-un tenta impulsionar uma abertura paulatina do regime e, para isso, dar visibilidade a Ri pode ajudar-lhe tanto a ‘reduzir os inevitáveis atritos com a velha-guarda’ como a apresentar uma referência que lhe garanta o apoio das mulheres do país.

Abertura – Em todo caso, os analistas apontam que uma eventual abertura da Coreia do Norte seria um processo lento que estaria em seu ponto de partida, uma etapa caracterizada por mudanças culturais e detalhes estéticos que por enquanto não afetaram a rígida estrutura do sistema. A mera aparição perante as câmaras da nova primeira-dama, que foi vista pela primeira vez em dezembro no funeral de Kim Jong-il, pai do atual líder, é um fato inusitado no país mais fechado do planeta.

Durante seus 17 anos de mandato, Kim Jong-il nunca deu importância às quatro concubinas que o acompanhavam, entre elas a dançarina Koh Young-hi, mãe de Kim Jong-un. No caso de Ri Sol-ju, a jovem apareceu com vestidos e sapatos ao estilo ocidental que contrastam com os uniformes militares e trajes tradicionais que caracterizam as poucas mulheres das elites norte-coreanas.

A primeira-dama também exibiu recentemente uma bolsa de um famoso estilista francês avaliada em mais de 1.000 euros, segundo a imprensa sul-coreana, que criticou com dureza esta ostentação em um país onde a pobreza afeta grande parte da população. Acredita-se que a jovem foi cantora, já que o YouTube oferece vários vídeos nos quais uma intérprete norte-coreana de mesmo nome e aspecto similar entoa melodias acompanhada de uma orquestra.

Líder – Kim Jong-un, educado na Suíça e com fluência em inglês e alemão,deu à Coreia do Norte referências culturais ocidentais, cujo exemplo mais evidente foi um espetáculo oferecido há um mês para ele e seu séquito com personagens da Disney como Mickey Mouse. Além de incorporar este símbolo dos Estados Unidos – tradicional inimigo da Coreia do Norte -, nos últimos meses a televisão estatal exibe apresentações de grupos juvenis com roupa justa e penteados atrevidos, algo nunca visto anteriormente. Resta saber se os ares de abertura chegarão no futuro ao hoje isolado e obsoleto sistema econômico norte-coreano, caracterizado pelo ferrenho controle do estado e a proibição de qualquer tipo de atividade privada.

(Com agência EFE)