Republicano aspirante à Casa Branca envolvido em escândalo

Aliados do governador Chris Christie teriam provocado caos no tráfego ao fechar acesso a ponte para prejudicar desafeto político

Por Da Redação - 8 jan 2014, 19h43

O nome do governador de Nova Jersey, Chris Christie, virou alvo de um ataque que pode prejudicar sua posição de favorito do Partido Republicano à disputa presidencial de 2016. E-mails e mensagens de texto divulgados pela imprensa americana nesta quarta-feira sugerem que uma de suas principais assessoras está envolvida no fechamento de pistas que ligam Fort Lee à ponte George Washigton, uma das mais movimentadas do mundo, que liga a ilha de Manhattan a Nova Jersey. O fechamento das vias, em setembro do ano passado, causou graves probelmas de trânsito na cidade vizinha a Nova York, e seria uma vingança contra um rival político, o democrata Mark Sokolich, prefeito de Fort Lee. Sokolich não apoiou Christie em sua campanha eleitoral pela reeleição no ano passado.

Os documentos não implicam o governador diretamente no fechamento das vias, mas contradizem as afirmações feitas por Christie de que nenhum membro de sua equipe estava envolvido no caso. Christie começou a cultivar uma mediática amizade com o presidente Barack Obama durante a passagem do furacão Sandy, que causou grandes danos a Nova Jersey. Depois da tragédia, a aprovação do governador disparou. Com planos de se candidatar à Casa Branca, ele até se submeteu a uma cirurgia de redução de estômago, para reduzir seus mais de 150 quilos.

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À época do fechamento das pistas, em setembro do ano passado, funcionários da autoridade portuária disseram que a medida fazia parte de um estudo de tráfego. O governador tentou minimizar a questão inicialmente, mas acabou concedendo uma longa entrevista coletiva em dezembro, quando negou qualquer irregularidade. Também no fim do ano passado, dois funcionários da autoridade portuária próximos ao governador, Bill Baroni e David Wildstein, renunciaram ao cargo, informou o jornal The Washington Post.

Os e-mails fazem parte de uma coleção de documentos analisada pela Comissão de Transportes da Assembleia de Nova Jersey, informou o Wall Street Journal. A investigação é liderada por parlamentares democratas.

Uma das mensagens divulgadas foi um e-mail enviado por Bridget Anne Kelly, subchefe de gabinete de Christie, à autoridade portuária de Nova York e Nova Jersey, dizendo que “era hora para alguns problemas de tráfego em Fort Lee”. Ao que Wildstein, amigo do governador dos tempos de colégio, respondeu: “Entendido”. As mensagens foram trocadas por e-mails pessoais e não pelos endereços oficiais dos dois funcionários.

Alunos – Os problemas na ponte se prolongaram por quatro dias, incluindo o primeiro dia de aulas. Na manhã do dia 10 de setembro, o prefeito Sokolich enviou uma mensagem a Baroni expressando preocupação e pedindo ajuda para que a situação se normalizasse e as crianças pudessem chegar à escola na hora certa. No minuto seguinte, informou o Washington Post, uma pessoa fez referência à mensagem, e escreveu: “É errado eu estar rindo?”. “Não”, outra pessoa respondeu. “São os filhos dos eleitores de Buono”, acrescentou, referindo-se a senadora Barbara Buono, adversária do governador Christie nas eleições do ano passado.

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Fred Malek, responsável financeiro da Associação Republicana de Governadores, entidade presidida por Christie, defendeu o governador em entrevista nesta quarta-feira. “Se de fato seus assessores fizeram isso, tenho certeza que ele não sabia, e se soubesse, teria interrompido”, ressaltou.

Apesar de as comunicações não apontarem um motivo para o fechamento das pistas, o prefeito se disse convencido de que foi alvo de uma vingança por não apoiar Christie nas eleições do ano passado. “Isso é um exemplo do lado mais venenoso e mesquinho da política”.

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