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República Tcheca decreta luto nacional pela morte de Vaclav Havel

Praga, 19 dez (EFE).- A República Tcheca anunciou nesta segunda-feira três dias de luto nacional pela morte do escritor, dramaturgo e ex-presidente Vaclav Havel, que faleceu no último domingo em sua casa de campo.

Após um Conselho de Ministros extraordinário, o governo declarou três dias de luto, de quarta até sexta-feira, quando será enterrado o ex-líder, informou o primeiro-ministro, Petr Necas, em entrevista coletiva.

Havel será enterrado depois da realização de um funeral de Estado, o qual deverá contar com a participação de vários líderes estrangeiros. Segundo a imprensa local, a cerimônia possivelmente contará com a presença da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton.

Embora esperada, a morte de Havel foi recebida com muita dor por parte da população. Isso porque, o dramaturgo é um dos principais responsáveis pela volta do país à democracia, se transformando na figura mais relevante e querida da transição democrática.

‘Estou triste, porque era um homem bom. Poderia ter ficado conosco por mais dez anos’, disse nesta segunda-feira à agência Efe Jiri Jandourek, economista da capital, em uma opinião que reflete o sentimento comum de muitos cidadãos.

Após a grande concentração de pessoas no último fim de semana, a praça Wenceslao voltou a ser ocupada pela população em uma verdadeira demonstração de apreço pelo seu ex-líder, uma das poucas vozes contestatórias durante o regime totalitário, o qual chegou a ser preso por quatro anos.

Em sinal de gratidão, um contínuo fluxo de pessoas desfilou diante da estátua equestre do patrão da Boêmia, onde penduraram várias fotos do falecido, além de flores e velas. Na Avenida Nacional, diante de um monumento que homenageia a revolução de veludo, muitas pessoas também se reuniram para homenagear Havel.

Sob a supervisão de sua mulher, Dagmar, e de mais duas freiras, os restos mortais do dramaturgo foram encaminhados para uma cerimônia de cremação pouco antes do meio-dia.

‘Durante estes últimos meses, Havel estava sendo acompanhado por várias freiras e, inclusive, chegou a receber uma visita do arcebispo’ Dominik Duka.

O arcebispo, que nos anos de dissidência conviveu com Havel na prisão, lamentou a morte do ‘amigo’. ‘As palavras de nossa última conversa são válidas: Não estou bem, mas sabemos quem ele foi’, disse o purpurado tcheco com agradecimento ao ex-líder. EFE